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Escritor e roteirista carioca Celso Tádhei lança distopia “Derrisão” e retoma parceria com a Globo

Finalista do Jabuti 2025 apresenta romance em que o riso é criminalizado; autor também integra equipe de Daniel Ortiz na nova novela das sete e é roteirista colaborador de nova novela do Globoplay

13/08/2026 às 19h09
Por: Marcela Güther
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Derrisão (Mondru Editora) é o novo romance de Celso Tádhei, finalista do Prêmio Jabuti 2025  com A Casa da Ópera de Manoel Luiz. Na trama, uma onda gigantesca de gelo se ergue sobre a praia de Copacabana e fica paralisada, e cientistas descobrem que o riso humano é o ponto de fragilidade da estrutura, o que leva o governo a monitorar, restringir e, por fim, proibir a gargalhada. A obra foi lançada na Festa Literária Internacional de Paraty – Flip 2026.

O livro acompanha Tito Bastos, roteirista de humor, cuja vida e profissão se tornam alvo de um sistema de controle cada vez mais opressor. “Os temas centrais de Derrisão são medo, controle, liberdade, comportamento coletivo e a função do humor na vida humana”, resume o autor. “O romance usa a ficção científica e a sátira para discutir uma pergunta simples: o que acontece quando uma sociedade decide abrir mão da alegria em troca da promessa de segurança?”

A escolha de Copacabana como cenário não é casual. Tádhei, que morou no bairro, transforma sua geografia afetiva em personagem: a orla agora tomada por uma muralha de gelo. “Primeiro de tudo, me veio a imagem dessa superonda congelada. Achei uma imagem forte: uma tensão constante, uma ameaça permanente que, a qualquer instante, poderia decidir engolir a cidade”, conta.

Mais do que uma distopia, o romance é uma reflexão sobre o que se perde quando o humor é silenciado. “O riso costuma ser tratado como algo leve ou secundário, mas ele está profundamente ligado à nossa capacidade de lidar com a dor, criar vínculos, questionar autoridades e enxergar contradições”, diz o escritor. “Se eu tivesse que resumir a principal reflexão do romance em uma frase, seria esta: algumas coisas que nos tornam humanos são inseparáveis da nossa vulnerabilidade, da nossa disposição de correr riscos, de nos expormos ao olhar, à crítica, mas também ao abraço do outro.”

O autor cita entre suas influências Kurt Vonnegut, o Machado de Assis de Memórias Póstumas de Brás Cubas, as distopias de George Orwell e Ray Bradbury, e a imaginação libertária de Ursula K. Le Guin.

Retorno à Globo

Além do lançamento literário, 2026 marca o retorno de Celso Tádhei ao time de autores da TV Globo. O roteirista, que trabalhou por 23 anos na emissora e foi chefe de roteiro de programas como Zorra (indicado ao Emmy Internacional), agora integra a equipe do autor Daniel Ortiz em sua próxima novela das sete. Tádhei atua como colaborador do folhetim, que também será capitaneado por Flávia Bessone e Victor Atherino, dupla que já trabalhou com Marcos Bernstein em Orgulho e Paixão.

“Sou muito fã do Daniel, um fazedor de sucessos incrível, e agora, enquanto vou conhecendo seu jeito de trabalhar, minha admiração só aumenta: percebo um autor muito seguro, dedicado, tranquilo, engraçado e criativo”, diz Tádhei. A nova trama, uma comédia romântica com previsão de estreia para março de 2027 (ainda sem título),  acompanha mulheres que enfrentam dificuldades e precisam se unir para reconstruir suas vidas.

O autor também foi roteirista colaborador de "Paraíso perdido", novela do Globoplay de George Moura e Sergio Goldenberg, que já conta com Maeve Jinkings, Juliano Floss e Alexandre Nero como autores confirmados. A gravação está prestes a iniciar nos Estúdios Globo.

Sobre o autor

Celso Tádhei é roteirista, escritor e professor, com formação em Artes Cênicas pela UNIRIO. Na TV Globo, escreveu clássicos como Sítio do Pica-Pau Amarelo e Chico Anysio – Cartão de Visitas. É autor de peças teatrais como O Alienista (Prêmio Cenym de Melhor Texto Adaptado) e O Baterista, além de filmes como Os Caras de Pau e o Misterioso Roubo do Anel. Um dos fundadores da Escola de Roteiro Levante 42, ministra oficinas de escrita criativa e dramaturgia. A Casa da Ópera de Manoel Luiz é seu primeiro romance, finalista do Prêmio Jabuti 2025.

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