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6 autores que flertam com o estranho para o Mês do Halloween

De sátiras políticas a casas assombradas, obras de autores nacionais usam o terror e o insólito para investigar memória, luto e violência de Estado

21/10/2026 às 15h49
Por: Marcela Güther
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6 autores que flertam com o estranho para o Mês do Halloween

 

Outubro é o mês em que abrimos espaço para o que é estranho, sombrio e sobrenatural. Casas assombradas, espíritos vingativos, delírios coletivos e criaturas que atravessam o limite entre o humano e o mítico: são temas que, na ficção, servem como lente para olhar questões bem reais, como a memória, o luto, a violência de Estado e os traumas de família.

 

Entre escritores brasileiros contemporâneos, encontramos algumas dessas vozes que flertam com o grotesco, o terror e o insólito. São escritores que vêm de trajetórias diferentes (jornalismo, cinema, poesia) e que, cada um a seu modo, encontraram no estranhamento uma forma de contar histórias que não caberiam de outro jeito.

 

Para o Mês do Halloween, reunimos seis desses nomes, com obras que vão da sátira política distópica ao terror sobrenatural, passando pelo conto que nasceu de uma ideia de vampiro. Conheça os autores e seus livros:

 

1. Luiz Fernando Treviso: O Ano da Desordem (Clube dos Autores)

Treviso escreve sob influência de Nelson Rodrigues, Fellini e do cinema trash das décadas de 1970 e 1980, com narrativas que flertam com o grotesco, o trágico e o humor ácido (referências: Cronenberg, Hitchcock, Dario Argento, George A. Romero). O Ano da Desordem é uma sátira política distópica: em um ano de colapso institucional, uma profecia mística mergulha um governo autoritário no fanatismo, e uma guerra de sobrevivência urbana se desencadeia. Publicou também Horror sem fala (Clube de Autores) e o conto "Ostentação" na coletânea Horrores do Brasil: Anos 90 (Clímax Editorial).

 

2. Lucas Limão: Helena Catarina, não faz cocô e tem dor de barriga (editora orlando)

Romance de estreia, gênero terror, 96 páginas, lançado na Flip e na Bienal do Livro de SP em 2026. Helena Catarina, filha de um militar de alta patente, se muda para uma casa perto do hospital onde o pai agoniza e descobre que o imóvel é assombrado por espíritos perversos: o castigo deles não é matá-la, mas impedi-la de fazer cocô. Ela recorre a uma pombagira para se defender, e descobre que o passado do pai e os seres que assombram a casa têm uma ligação em comum. O terror sobrenatural vira investigação sobre os porões da ditadura militar.

 

3. Marcelo Nery: Flores Astrais (editora Mondru)

 

Mineiro nascido em Belo Horizonte, Nery transpõe o gótico para a realidade do interior profundo de Minas Gerais em sua estreia literária. Flores Astrais apresenta uma saga familiar gótica rural mineira que mistura sobrenatural, crítica social e memórias traumáticas. Com uma narrativa que transita entre o real e o espectral, o autor constrói um retrato das violências ocultas atrás de retratos de família, explorando luto, religiosidade e preconceito. O resultado bebe de um realismo mágico recheado de mistério e revelações inesperadas.

 

4. Arthur Simon: Lana, como eu odeio esses caras! (Casa de Astérion)

 

Arthur Simon, catarinense de 32 anos, estreia na literatura com este romance que combina descoberta da sexualidade, suspense sobrenatural e crítica ao conservadorismo. Ambientada em 2008 em Hortênsias, cidade fictícia marcada pela colonização alemã no interior de Santa Catarina, a trama acompanha Jéssica, que se aproxima de sua vizinha Lana enquanto enfrenta o processo de entender sua bissexualidade. A descoberta de diários antigos revela um amor proibido durante o Estado Novo e conduz as personagens a uma investigação sobre uma organização secreta ligada ao nazismo e ao integralismo no Brasil, numa estrutura híbrida que intercala narração tradicional, diários, posts de internet e artigos de jornal.

 

5. Kênia Marangão: O Vôo das Libélulas e Outros Contos Inflamáveis (editora Patuá)

 

A coletânea de estreia da escritora e artista plástica paulistana Kênia Marangão reúne dezoito contos que usam o insólito para abordar incômodos bem reais do cotidiano, com atmosfera onírica. Nascida em São Paulo e criada em Garça, no interior do estado, Marangão mergulha na subjetividade de personagens de vidas comuns que, pela via do desejo, buscam libertação ou mudança. Composta por dezoito histórias curtas, a obra mergulha na subjetividade de personagens de vidas comuns que, pela via do desejo, procuram por libertação ou mudança. Ao trazer essas transformações à tona, a escritora opta por fugir do realismo cru que circunda o texto e, com abordagens de situações quase banais, apresenta desdobramentos numa atmosfera onírica e inusitada.



6. Luiza Conde: Relógios partidos (editora Litteralux)

 

Rituais longínquos, maldições pregadas na parede e amigos monstruosos. Um ônibus para lugar nenhum, um metrô infinito e uma coleção sanguínea. Esses são cenários que atravessam os 12 contos de “Relógios partidos”, livro de estreia da roteirista Luiza Conde, sobre o tempo e os principais medos que acometem a humanidade: envelhecer, ficar só, errar, escolher, morrer, viver. Na obra,  o tempo pode ser medido pelas noites passadas em claro desejando um bibelô, os anos lamentando escolhas não feitas, as badaladas defeituosas de um sino, os vagões de um trem, as horas dedicadas a construir uma máquina do tempo ou a duração de uma jornada para um destino desconhecido. 



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