
Cozinha Beagá inicia nova fase com cardápio que homenageia personagens,
bares e sabores de Belo Horizonte
Depois de seis anos como Cozinha de Fogo Wäls, restaurante do BH Shopping ganha nova identidade e transforma histórias da capital mineira em pratos, decoração e experiências
Depois de seis anos como Cozinha de Fogo Wäls, a casa localizada no Piso Mariana, no BH Shopping, passa a se chamar Cozinha Beagá, colocando a própria cidade no centro da mesa. O novo nome marca uma reformulação de conceito, com cardápio, ambientação e experiências construídos a partir da cultura, da gastronomia e de personagens que fazem parte da história da capital mineira.
A mudança vai além do nome. Se a brasa continua presente em boa parte dos preparos, a nova fase amplifica o repertório da cozinha e estabelece uma relação direta com Belo Horizonte. Para isso, a equipe pesquisou histórias de bares, restaurantes e cozinheiros que ajudaram a formar a identidade gastronômica da cidade e convidou alguns deles para participar das homenagens que chegam ao cardápio.
“A gente sentiu que era o momento de dar uma virada de chave e construir um conceito que conversasse de verdade com a cidade. O Cozinha Beagá nasce desse desejo. Fomos atrás de histórias reais, de lugares e pessoas que ajudaram a construir a gastronomia de Belo Horizonte. Queremos que o cliente encontre essas referências no prato, na decoração e na experiência da casa. É um restaurante que celebra Belo Horizonte de um jeito genuíno”, explica Rafael Simões, gestor do Cozinha Beagá.
Histórias de BH servidas à mesa
Entre as homenagens está o Caldo do Nonô, receita que remonta a 1964 e se tornou um dos símbolos da comida do Centro de Belo Horizonte. No Cozinha Beagá, a homenagem tem um detalhe importante: a casa serve o próprio caldo preparado pelo Bar do Nonô, preservando a receita que atravessa gerações.
Outro endereço histórico do Centro inspira o Bolinho de Kaol, releitura do Kaol, prato mais conhecido do Café Palhares. O bolinho leva arroz, linguiça artesanal, couve e torresmo triturado, é empanado em farinha panko e servido sobre aioli de alho. A receita é de Verônica, mãe de André, atual responsável pelo Café Palhares, e já apareceu sazonalmente no cardápio da tradicional casa belo-horizontina. Agora, o Cozinha Beagá recebeu autorização para incluí-la em seu menu como homenagem à história do Palhares.
O Kaol nasceu na década de 1950 e teve seu nome associado às iniciais de seus elementos mais conhecidos: cachaça, arroz, ovo e linguiça. Ao longo das décadas, tornou-se um dos pratos mais identificados com a cultura de balcão do Centro da capital.
“O Palhares é parte da memória gastronômica de Belo Horizonte. O bolinho que servimos tem uma relação direta com essa história e chega ao nosso cardápio com a autorização da família. Essa era uma preocupação desde o início: não queríamos simplesmente usar referências da cidade, mas nos aproximar das pessoas que estão por trás delas e fazer essas homenagens com respeito”, conta Rafael.
A trajetória do chef Flávio Trombino, do restaurante Xapuri, também ganhou espaço no menu. A Linguiça em Homenagem ao Flávio Trombino recupera um prato que nasceu de uma necessidade prática na cozinha: em um dia de casa cheia, Trombino abriu a linguiça para acelerar seu preparo. O improviso funcionou, conquistou os clientes e acabou se tornando uma das marcas de sua cozinha. No Cozinha Beagá, a linguiça é preparada à maneira da casa, servida em uma tábua fumegante com cebola e pimentão. A versão foi apresentada e aprovada pelo próprio chef.
O Jiló do Mercado Central parte de outra relação conhecida dos belo-horizontinos. Ingrediente presente nos balcões e porções do Mercado Central, o jiló aparece no restaurante em uma versão crocante, temperada com molho da casa.
As referências à cidade continuam por outros pontos do menu. O Tropeiro da Pampulha leva feijão tropeiro com couve e arroz branco; o Mexidão da Contorno combina arroz, carne, linguiça artesanal, torresmo, feijão, parmesão, couve, banana-da-terra e ovos estrelados; e a Parmegiana de Queijo Canastra traz o queijo mineiro derretido sobre carne ou frango empanado, acompanhados de arroz e purê de batatas.
Há ainda pratos pensados para compartilhar, como a Galinhada, preparada com galinha deglaçada na cachaça e cozida lentamente com arroz, glace de frango, couve e tomate-cereja; o Costelão, bovino assado lentamente, braseado no fogo e servido com arroz e mandioca na manteiga de ervas; e a Costelinha com Barbecue de Goiabada, acompanhada de arroz e batatas crocantes.
A brasa, característica da fase anterior do restaurante, permanece como uma das técnicas centrais da cozinha. Ancho, picanha, cowboy steak Angus, filé-mignon, baby beef, frango, tilápia e salmão estão entre as opções que podem ser combinadas com acompanhamentos como arroz piemontese, farofa de ovos, mandioca frita, maionese de batata e legumes na brasa.
Para quem prefere petiscar, o menu reúne criações como Batata Beagá, com batatas fritas finas e carne desfiada braseada lentamente no chopp preto; Pastelzinho de Flauta, recheado com carne cozida na cerveja ou queijo Canastra; Torresmo de Barriga, acompanhado de redução de melaço de cana; e Torresminho de Frango, servido com barbecue de goiabada.
Até a sobremesa entra no jogo de referências mineiras. O Tenha Piedade é uma panqueca recheada com doce de leite Viçosa, açúcar queimado e sorvete; o Brûlée de Goiabada traz goiabada cremosa caramelizada e cream cheese; e o Trem Bom combina bolo de chocolate, doce de leite com cacau Viçosa, sorvete de leite e calda de caramelo.
Belo Horizonte também ocupa as paredes
A relação com a cidade não termina no cardápio. O projeto de ambientação mantém elementos da decoração assinada pela arquiteta Beth Nejm e incorpora novas referências visuais a Belo Horizonte. Peças garimpadas e ressignificadas convivem com elementos gráficos, objetos e imagens relacionados à memória da capital.
Entre os detalhes estão antigos projetores do Palácio das Artes, transformados em luminárias, e uma obra que recupera a história do Copo Lagoinha, o tradicional copo de vidro cujo nome faz referência ao bairro onde funcionava seu fabricante.
A memória visual da cidade aparece ainda em uma curadoria realizada em parceria com o BH Antigamente, com fotografias históricas que ajudam a contar as transformações da capital. Há registros da Praça Sete nos anos 1940, da inauguração do Mineirão, em 1965, e do Belvedere no fim dos anos 1970, período em que começava a construção do próprio BH Shopping.
A identidade visual do espaço também incorpora referências reconhecíveis da cidade, dos ladrilhos inspirados na Igreja São Francisco de Assis, na Pampulha, a representações do Mercado Central, Mineirão, Praça Sete, Praça da Liberdade e outros marcos belo-horizontinos.
“Belo Horizonte tem uma cultura gastronômica muito própria, construída nos bares, nos mercados, nos restaurantes, nas mesas e nos encontros. A nova fase nasceu da vontade de olhar para tudo isso e contar algumas dessas histórias dentro da casa. A ideia é que quem mora aqui reconheça alguma memória e que quem vem de fora consiga conhecer um pouco da cidade também. O Cozinha Beagá é, no fundo, uma declaração de amor a Belo Horizonte”, completa Rafael Simões.
A proposta sintetiza o conceito adotado pela nova marca: “Belo Horizonte servida à mesa”. Uma cidade que aparece no prato, mas também nos objetos, nas imagens, nas histórias e na maneira de receber.
Serviço
Cozinha Beagá
BH Shopping – Piso Mariana (4º piso)
BR-356, 3.049 – Belvedere, Belo Horizonte
Funcionamento: todos os dias, das 11h30 às 23h
Instagram: @cozinhabeaga
WhatsApp: (31) 99762-6073
Sobre o Grupo Chalezinho
Fundado em Belo Horizonte em 1979, o Grupo Chalezinho atua há mais de quatro décadas com casas de entretenimento e gastronomia na cidade.
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