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Comércio mineiro fecha primeiro semestre com queda na rotatividade de trabalhadores
O comércio mineiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com um sinal positivo para as empresas que buscam manter equipes mais estáveis: a rotatividade dos trabalhadores diminuiu ao longo dos últimos meses
19/08/2026 17h11
Por: Redação

Comércio mineiro fecha primeiro semestre com queda na rotatividade de trabalhadores


O comércio mineiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com um sinal positivo para as empresas que buscam manter equipes mais estáveis: a rotatividade dos trabalhadores diminuiu ao longo dos últimos meses. O Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG passou a divulgar, de maneira inédita no estado de Minas Gerais, o turnover substitutivo, que consiste, em suma, a medição da rotatividade de funcionários em um determinado setor. O indicador que estima a intensidade de reposição da mão de obra no mercado formal, apresentou média mensal de 5,21% entre janeiro e junho. No acumulado do semestre, a taxa chegou a 31,79%.

 

O comportamento do indicador, no entanto, conta uma história mais interessante do que o número acumulado. A rotatividade começou o ano em 4,96%, avançou para 5,31% em fevereiro e atingiu 5,77% em março, maior nível registrado no semestre. A partir de abril, iniciou uma trajetória de queda, passando para 5,27% naquele mês, 5,08% em maio e chegando a 4,88% em junho.

 


O resultado de junho representa uma redução de 3,9% em relação a maio e de 15,4% frente ao pico de março. Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, a leitura dos dados mostra que o comércio passou por um processo de ajuste no início do ano, mas conseguiu construir maior estabilidade nos meses seguintes. “Os dados mostram dois movimentos distintos. No primeiro trimestre, o comércio absorveu os ajustes naturais depois do período de contratações temporárias do fim do ano. A partir de abril, observamos uma redução contínua do turnover, indicando maior estabilidade nas equipes. Isso é relevante para as empresas porque a permanência dos profissionais contribui para preservar conhecimento, experiência e produtividade”, avalia Fernanda Gonçalves.

 

A elevação do turnover no início do ano está relacionada, principalmente, ao encerramento das contratações temporárias realizadas para atender à demanda das vendas de fim de ano. Janeiro, fevereiro e março também costumam concentrar maior mobilidade ocupacional, com trabalhadores em busca de novas oportunidades e empresas readequando seus quadros às perspectivas de vendas e atividade econômica.

 

O movimento de queda a partir de abril coincide com um período importante para o varejo. As vendas do Dia das Mães e do Dia dos Namorados ajudaram a sustentar a atividade e podem ter contribuído para que empresas mantivessem profissionais já treinados, evitando novos custos de recrutamento e adaptação. “Quando uma empresa consegue manter uma equipe que já conhece os processos, os produtos e o perfil dos clientes, ela reduz o tempo e os custos envolvidos na reposição de trabalhadores. Em um setor como o comércio, no qual a experiência do profissional tem impacto direto no atendimento, essa estabilidade pode fazer diferença na operação”, explica a economista.

 

 

 

 

Apesar da melhora observada nos últimos meses, o resultado acumulado mostra que a rotatividade continua sendo um desafio relevante para o comércio de Minas Gerais. O turnover substitutivo de 31,79% no primeiro semestre demonstra uma dinâmica intensa de renovação da força de trabalho e pode pressionar custos operacionais, produtividade e capacidade de retenção de bons empregados.

 

A leitura do indicador precisa ser feita com cuidado. A metodologia adotada pela Fecomércio MG utiliza o menor valor entre admissões e desligamentos como uma aproximação estatística do volume de substituições, já que os dados do novo CAGED não permitem identificar diretamente se uma contratação ocupou exatamente a vaga deixada por um trabalhador desligado. A taxa considera o mercado formal e deve ser interpretada como uma medida indireta da substituição de trabalhadores. Para Fernanda, o dado reforça a importância de transformar retenção em estratégia de gestão. “A queda do turnover nos últimos meses é uma sinalização favorável, mas não significa que o problema esteja resolvido. A rotatividade ainda exige atenção das empresas. Investir na permanência dos profissionais, na qualidade do ambiente de trabalho, na capacitação e em políticas capazes de valorizar o trabalhador pode ajudar a reduzir perdas e melhorar a eficiência das operações”, afirma.

 

O desempenho do primeiro semestre também reforça que acompanhar apenas a geração líquida de empregos não é suficiente para compreender o mercado de trabalho. Em junho, Minas Gerais registrou saldo positivo de 20.805 empregos formais, com 239.167 admissões e 218.362 desligamentos. Ao mesmo tempo em que o estoque de trabalhadores cresce, a movimentação interna do mercado revela o quanto as empresas estão renovando suas equipes. Nesse sentido, o turnover acrescenta uma camada importante à análise do mercado de trabalho. Mais do que indicar quantas vagas foram criadas, o indicador ajuda a entender a intensidade da movimentação da mão de obra e o grau de estabilidade dos vínculos. No comércio mineiro, o primeiro semestre termina com uma combinação de geração de empregos e redução gradual da rotatividade, mas também com o desafio de transformar essa melhora em uma tendência mais duradoura.

 

Sobre a Fecomércio MG

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

 

Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.