Ambientado na seca de 1932, romance de Francisco Leite Duarte une regionalismo e realismo mágico para discutir desigualdade, abuso de poder e a força dos que se recusam a se curvar
”O sibito baleado”, novo romance do escritor, jurista e auditor-fiscal aposentado Francisco Leite Duarte, funde a crueza do romance regionalista de 1930 ao realismo mágico, a partir de um lirismo que se apoia em uma linguagem inventiva e ao mesmo tempo regional. Publicado pela editora Faria e Silva (@fariaesilvaeditora), o livro utiliza uma alegoria antropomórfica para discutir temas urgentemente contemporâneos, como o autoritarismo, a retenção de recursos básicos e a manipulação da verdade. A contracapa conta com blurbs assinados pelos escritores Santiago Nazarian e Pablo Casella.
Após passagem pela 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o livro chega a João Pessoa em uma noite de lançamento na Livraria do Luiz, no dia 14 de agosto (sexta-feira), a partir das 17h, na unidade do Mag Shopping.
Ambientada no alto sertão da Paraíba, durante a histórica seca de 1932, a narrativa se desenvolve em uma estrutura espelhada que entrelaça o plano humano e o dos pássaros. Enquanto as pessoas sofrem com a fome e a opressão política na terra, as aves da região, cansadas de pagar um imposto abusivo em sementes estipulado pelo tirano Guiratinga para poderem beber água, decidem organizar uma revolução.
O líder desse levante é Fubica, um sibito (cambacica) de perna e asa quebradas que foi resgatado pelo menino Binga e pelo fazendeiro Pedro Bicudo, protagonistas da parte humana do romance. Magro, franzino e audacioso, características que dão origem à expressão popular nordestina que intitula o livro, Fubica vê seu discurso, feito inicialmente para impressionar uma pretendente, transformar-se em um exército revolucionário que sela pactos históricos até com besouros e rola-bostas para derrubar a tirania vigente.
“O livro dialoga com clássicos como Vidas Secas e A Bagaceira, mas rompe com o tom realista daquela época”, explica o autor, que faz questão de ressaltar que, em seu livro, homens e bichos se unem não para fugir da seca, mas para lutar ativamente contra as injustiças e as mentiras dos poderosos.
Com uma prosa poética requintada, humor satírico e profunda sensibilidade social, “O sibito baleado” é um manifesto sobre a força da coletividade, a necessidade de resistência e a dignidade daqueles que, mesmo miúdos, recusam-se a se curvar perante os gigantes.
Sobre o autor
Francisco Leite Duarte nasceu na zona rural do alto sertão da Paraíba (Uiraúna). Formou-se em Direito pela UFPB, onde também concluiu mestrado em Direito Econômico e, posteriormente, doutorado em Direitos Humanos e Desenvolvimento. Atuou como Auditor-Fiscal da Receita Federal por mais de 30 anos e hoje é advogado tributarista, colunista semanal do Portal MaisPB e professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Na literatura, é autor de romances (“A vovó é louca” e “O pequeno Davi”), contos (“Crimes de agosto”, crônicas e do livro de memórias “Os longos olhos da espera”. Também foi semifinalista do Prêmio Pena de Ouro em 2022.
Francisco conta que seu novo romance mimetiza de forma poética a sua própria trajetória, a partir de um resgate de suas origens e da bagagem que adquiriu durante a vida. Filho de agricultores analfabetos, ele caminhava quilômetros a pé no escuro para poder estudar quando criança. Na juventude, trabalhou diretamente nas frentes emergenciais de combate à seca no Nordeste entre 1977 e 1979 — experiência que o ajudou a construir o cenário do livro de forma contundente.
Serviço
Lançamento de O sibito baleado, de Francisco Leite Duarte
Data: 14 de agosto (sexta-feira)
Horário: a partir das 17h
Local: Livraria do Luiz
Endereço: MAG Shopping | Av. Gov. Flávio Ribeiro Coutinho, 115, Manaíra, João Pessoa (PB)
FICHA TÉCNICA
Livro: O sibito baleado
Autora: Francisco Leite Duarte
Número de páginas: 220
ISBN: 9786560252141
Gênero: Romance
Editora: Faria e Silva Editora
Ano: 2026