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Renata de Lélis fala sobre a construção de Jael em série bíblica inédita
A atriz gaúcha interpreta personagem de “A Ira do Herdeiro”, produção prevista para 2027; na entrevista, também relembra “A Nuvem Rosa” e conta como a experiência de atriz orienta seu trabalho como diretora
04/11/2026 17h02
Por: Natália Camacho
Divulgação

 

Atriz, diretora e bailarina, Renata de Lélis se prepara para apresentar ao público um novo trabalho: Jael, personagem de “A Ira do Herdeiro”. Sem antecipar detalhes da trama, Renata fala sobre a composição da personagem e sobre a pesquisa que a ajudou a compreender o período retratado.

“A Jael é uma mulher humilde e devota a Deus”, diz a atriz. Na construção do papel, ela buscou as contradições da personagem e voltou a atenção para o cotidiano de quem vivia naquela época. “Construo como atriz uma contradição interna na personagem”, resume.

Importante pra mim pensar nesse povo que trabalhava muito, tudo era muito sofrido, os meios eram escassos. Quase tudo era produzido em casa. Então esse corpo do trabalho foi fundamental para entender a personagem.

Renata conta que procura compreender as escolhas de Jael dentro de seu contexto histórico, sem deixar de olhar para a personagem a partir do presente. “Naturalmente compreendo o contexto histórico da época. Mas, graças a Deus, hoje vivemos em outros tempos.”

O novo papel se soma a trabalhos que exploram realidades muito diferentes. Renata protagonizou “A Nuvem Rosa”, filme exibido no Festival de Sundance que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival da Fronteira. Realizado antes da pandemia, o longa ganhou outro significado quando ela revisitou a história de Giovana após o período de isolamento.

Sim, como era um filme totalmente distópico para a gente, foi impressionante ver o quão parecido com o "novo normal" se transformou. Optei por prolongar a resiliência de Giovana, depois do baque inicial do confinamento. Ela meio que se adapta e aceita a nova forma de vida, pensei nisso baseada em teorias da psicologia que dizem que o ser humano se adapta a tudo desde que hajam as condições básicas de sobrevivência. E foi o que de fato aconteceu conosco.

Além de atuar, Renata dirigiu Luiza Lemmertz e Áurea Baptista em “Anfitriãs”. A experiência no set também foi, para ela, uma oportunidade de aplicar o que aprendeu como atriz nas trocas com o elenco. O processo incluiu ensaios, estudo e laboratório para a construção das personagens.

Foi uma experiência incrível. A minha experiência me permite entender as necessidades dos atores em cena. Tivemos muitos ensaios, estudo e laboratório na construção das personagens, o que é muito rico para o elenco. Como atriz, quando temos a oportunidade e o tempo necessário para esses processos, é perfeito para construir um personagem profundo e único.