De 4 a 8 de novembro (quarta a domingo), Belo Horizonte se transforma mais uma vez na "Capital dos Quadrinhos" com a realização do maior evento de arte sequencial da América Latina. O Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte - FIQ BH, realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Periférico, chega à sua 13ª edição e traz uma programação diversificada e gratuita, composta por mesas-redondas, feira de quadrinhos, oficinas, exposições, exibição de filmes, lançamentos - como a versão de "Torto Arado" em quadrinhos -, sessões de autógrafos, debates, duelos de quadrinistas em tempo real e rodada de negócios. Entre as novidades de 2026, o evento recebe: a "24h de HQ", desafio intensivo de criação em quadrinhos, ao vivo, que vai durar 24 horas, e também o Dia do Quadrinho Grátis, que vai contar com a distribuição gratuita de 3 mil exemplares para o público do festival. Este ano, o festival vai reunir, no Minascentro, cerca de 400 artistas brasileiros e internacionais.
Com o tema "Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania", o FIQ BH traz à capital mineira expoentes das HQs, vindos de 25 estados do Brasil (e o Distrito Federal) e de sete países, ampliando as trocas de experiências entre profissionais do setor, pesquisadores e públicos diversos, reafirmando a relevância do festival como o maior do gênero na América Latina.
Referência para quadrinistas de todo país, o FIQ BH destaca-se também por compreender as diversas etapas da relação entre mercado, público e artistas, estreitando os caminhos tanto para a aproximação de editoras e criadores, como o contato entre os produtores de quadrinhos e o consumidor final. Neste ano, 277 mesas compõem a feira de quadrinhos, com exposição e venda de publicações de quadrinistas nacionais e internacionais. A programação completa pode ser acessada no site portalbelohorizonte.com.br/fiq.
Para a presidenta da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, o FIQ BH desempenha um papel fundamental na formação de gerações de quadrinistas e na consolidação de Belo Horizonte como referência na produção de quadrinhos. "Ao longo de sua trajetória, o festival contribuiu para revelar talentos, estimular a criação e fortalecer uma cena artística que hoje alcança projeção nacional e internacional. Ao reunir artistas brasileiros e de diferentes países, o FIQ também amplia a presença de Belo Horizonte no cenário internacional da cultura, consolidando a cidade como espaço de intercâmbio, circulação de ideias e valorização da diversidade artística. Essa trajetória é resultado de uma política pública continuada da Prefeitura de Belo Horizonte, que reconhece a importância dos quadrinhos como expressão artística, ferramenta de formação e campo de produção cultural. Nesta 13ª edição reafirmamos esse compromisso, promovendo encontros, trocas de experiências e oportunidades que fortalecem o setor e projetam a potência da produção de quadrinhos brasileira."
Abertura Oficial - O FIQ BH 2026 começa em 4/11, quarta-feira, com diversas atrações. A abertura oficial será a partir das 17h, em que estarão presentes curadores, profissionais dos quadrinhos, parceiros e autoridades.
Ao longo da programação, que segue até 8 de novembro, participam das mesas e sessões de autógrafos oito convidados internacionais - Borja González (Espanha), Štěpánka Jislová (Tchéquia), Nati Chuleta (Chile), Clara Chotil (França), Fabien Toulmé (França), Nacha Vollenweider (Argentina / Alemanha - Goëthe Institut), Lorenzo de Felice (Itália) e Isabelle Debekker (Bélgica) -, e ainda 83 artistas naturais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Piauí, Pará, Rondônia, Amazonas, Rio Grande do Norte, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
Novidades - Entre as novidades do festival este ano, está prevista uma ação aberta ao público, que vai durar 24 horas: iniciando no sábado, 7/11, às 14h, e encerrando no dia seguinte, no mesmo horário. O "24h de HQ" chega ao FIQ BH pela Inko (Editora/Escola/Laboratório de Artes e Narrativas) que propõe o desafio de criar histórias em quadrinhos, com referências na cultura nacional, em tempo real. Outra ação que promete atrair pessoas de todas as idades é o Dia do Quadrinho Grátis, em que serão distribuídos gratuitamente 3 mil exemplares de HQs. A ação é realizada em parceria com a Editora Devir no sábado, 7/11, das 11h00 às 13h.
Vale-Livro - Neste ano, o festival recebe, mais uma vez, visitas de escolas municipais e estaduais reunindo cerca de 3 mil alunos do ensino infantil, fundamental, médio e EJA, que receberão vale-livros. A proposta é que, ao longo do evento, crianças, adolescentes e seus educadores possam trocar o vale por quadrinhos, livros e todo tipo de material de leitura presente nas mesas de artistas e estandes, de acordo com a faixa-etária mais adequada para o estudante. Para visitas, é necessário agendamento prévio das escolas. A participação das escolas municipais é uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação - SMED.
A edição conta ainda com participação do Ministério da Educação (MEC), na 13ª edição do FIQ BH, com o MEC Livros: a biblioteca digital do Brasil, iniciativa do Governo Federal amplia o acesso público e gratuito a obras literárias em formato digital. No evento, a plataforma poderá ser visitada por meio de quatro totens (qr code) através dos quais o público encontrará seus títulos favoritos para leitura. Haverá ainda um monitor no local instruindo a navegação, inclusive para quadrinistas que queiram disponibilizar virtualmente suas obras. Também será criada uma página específica da FIQ BH no site do MEC Livros, reunindo sugestões de quadrinhos e de quadrinistas que estarão presentes no festival. A iniciativa busca aproximar o público do universo dos quadrinhos e ampliar o alcance das ações desenvolvidas durante o evento.
Espaço de acolhimento - O FIQ BH conta ainda com equipe especializada de atendimento e oferece um espaço para famílias, mães lactantes, pessoas com deficiência e neurodivergentes ou que demandem algum acolhimento especial.
Gabriela Santoro, diretora-presidente do Instituto Periférico - que tem suas ações norteadas por projetos e iniciativas que promovem a diversidade cultural e os direitos humanos -, comenta a importância de se realizar um festival de quadrinhos frente às novas tendências do mercado editorial: "o FIQ possibilita trocas presenciais com autores e autoras do Brasil e de outras nacionalidades, permitindo ao público compreender e vivenciar de perto a diversidade de estéticas e narrativas da arte sequencial contemporânea, além de experimentar o contato físico com as obras, algo que, em alguma medida, vem se perdendo diante das transformações trazidas pelo digital".
Tema do festival
Neste ano, a curadoria da 13ª edição do FIQ BH é assinada por Mariana Viana - jornalista especializada em quadrinhos, co-criadora do premiado canal Fora do Plástico e vencedora do Jovens Talentos da Indústria do Livro de 2026 -, e por Régis Luiz - ilustrador, formado em Design Gráfico, ganhador do prêmio HQMIX de melhor Projeto Gráfico de 2023, idealizador e produtor de grandes eventos ligado ao universo dos quadrinhos e da cultura pop.
O recorte curatorial "Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania", que vai guiar a composição das mesas-redondas, debates e conversas da programação convida o público e profissionais das HQs a uma reflexão, explica Gabriel Nascimento, coordenador artístico do festival, ao lado de Afonso Andrade:
"A forma de consumir quadrinhos mudou muito nos últimos 20 anos: com o fechamento das bancas de revistas, as HQs passam a ocupar mais as livrarias e o mundo digital, e se consolidam principalmente em feiras, premiações e festivais. Isso fez crescer a diversidade e o número de leitores, mas também as publicações subiram de preço", contextualiza.
Nesse movimento complexo de idas e vindas, Nascimento reflete sobre os caminhos de leitura que podem ser trilhados no universo das HQs e como o FIQ BH pode contribuir. "Não restam dúvidas sobre o potencial da linguagem desse tipo de narrativa para tratar de temas simples, de maneira acessível e sofisticada. Os quadrinhos sempre foram atrativos para formação de novos leitores e, por isso mesmo, entendemos que é papel dos festivais e eventos do segmento pensar em como contribuir para a formação cidadã dessas pessoas, disponibilizando um acesso amplo de temáticas, gêneros, estéticas, formatos e autorias: a leitora ou leitor, ao entrar em contato com essas várias vozes, pode elaborar um pensamento crítico e complexo sobre a sua própria história e sociedade", afirma.
Ilustrador convidado
Nesta edição, o ilustrador convidado, responsável pela imagem incorporada à identidade visual do festival, é o designer Guus (Belo Horizonte / MG). O artista tem sua obra atravessada por influências do hip-hop, grafite, afrofuturismo, cultura pop, streetwear e toda a cultura urbana. Participante em 2018 do FIQ Jovem - curso voltado para a formação de jovens talentos da cidade -, Guus assina, entre os principais projetos: a Identidade Visual do FAN-2025, o Rap Game Festival, o Festival Toca Na Favela, a Animação Clipe Lagum FT. IZA, a ilustração para o lançamento da série Avatar - O Último Mestre do Ar para a Netflix.
Artistas homenageados
A partir da temática proposta no festival, o FIQ BH presta homenagem neste ano a nomes que são referência no universo dos quadrinhos, não somente por suas contribuições artísticas, mas sobretudo por suas produções de caráter crítico e reflexivo sobre a arte sequencial. Durante o festival, cada homenageado recebe uma mesa de debate e uma exposição dedicada à sua obra.
Pioneira no Brasil no estudo das histórias em quadrinhos e da cultura pop do Japão, Sonia Maria Bibe Luyten é uma das homenageadas, com 50 anos de profissão dedicados à arte sequencial. Formada em jornalismo, mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela USP, lecionou em instituições universitárias no Brasil e, como professora convidada, em universidades do Japão, Países Baixos e França. Já trabalhou como tradutora e assinou prefácios de obras como Mangá Tropical (2003, Via Lettera) e Uma Biografia Mangá: Osamu Tezuka de Toshio Ban (2003, Conrad Editora). Vencedora de dois troféus HQ Mix por sua produção teórica, desde 2009 é integrante do comitê organizador do prêmio. Atualmente é presidente da Comissão de Teses do Troféu HQ Mix e membro da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS).
Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira (Montes Claros/MG), o Lelis, é ilustrador e quadrinista, com trabalhos publicados no Brasil, França e Sérvia. Iniciou a sua carreira em 1986, na imprensa mineira, e, em 1997, passou a colaborar para a Folha de S. Paulo. Paralelamente, consolidou-se como ilustrador editorial, produzindo infantojuvenis de autores como Bartolomeu Campos de Queiróz, James Joyce e Cora Coralina. O reconhecimento internacional veio em 2002 com convite para participar do Festival de Angoulême, na exposição Traits Contemporains!, dedicada às novas tendências dos quadrinhos. De lá pra cá, foi selecionado para figurar em diversas publicações estrangeiras. Entre os prêmios recebidos, estão aqueles do Salão Internacional do Humor de Piracicaba, Salão Carioca de Humor, Bienal Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco, Salão de Desenho para a Imprensa de Porto Alegre, entre outros, e três troféus HQMix.
DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO
Mesas-redondas, debates e bate-papos – nacionais e internacionais
Não faltam destaques na programação das mesas-redondas, debates e bate-papos. No primeiro dia de festival, 4/11, quarta-feira, a partir das 9h, o público assiste, ao vivo, a um duelo de quadrinistas, programação que se estende ao longo de todo o FIQ BH.
Em 5/11, quinta-feira, destaque também para a mesa "HQ também é coisa de criança: publicações sobre e para as infâncias", que traz os paranaenses Phellip Willian e Melissa Garabeli - autores de Big Hug (Via Lúdica) e da graphic MSP da Turma da Mônica - Recomeços, lançada pelo selo MSP Graphic Novel na Bienal (2025), além da ilustradora Ray Cardoso (AM) - com trabalhos especializados no público infantojuvenil - e Felipe Nunes (SP), ilustrador, quadrinista e autor da HQ infantojuvenil Max Medroso (VR Editora). A mediação é da quadrinista e professora na Casa dos Quadrinhos, Nami Vianna (MG). Diante de um mercado de quadrinhos voltado sobretudo para jovens e adultos, a mesa apresenta novas propostas editoriais para os gibis contemplando as várias infâncias.
Já em "Adaptando sucessos para quadrinhos: quando a história muda de linguagem", mesa prevista para 6/11, sexta-feira, serão discutidas singularidades e desafios encontrados no caminho da adaptação de uma grande obra. Ilustra a discussão a história em quadrinhos "Torto Arado" - romance escrito originalmente por Itamar Vieira Júnior (vencedor dos Prêmios Jabuti e Oceanos) que agora ganha sua versão em HQ, com lançamento nacional, em primeira mão, no FIQ BH. Participam da mesa os criadores de "Torto Arado" para os quadrinhos, Bennê Oliveira (PE) e Rafael Calça (SP) - que também assina o afrofuturista "Oriki" (Companhia das Letrinhas), além de Thobias Daneluz (SP) - ilustrador conhecido pela websérie de animação "Sociedade da Virtude" e Ian SBF (RJ) - diretor e roteirista, criador do Porta dos Fundos.
Ainda no dia 6, sexta-feira, a mesa "Arquitetando mundos: o exercício da imaginação e a criação nos quadrinhos", com mediação da curadora Mariana Viana, aborda como funciona a complexa arquitetura de criar cenários, histórias e fazer com que o leitor siga por elas encantado. Participam do debate a cocriadora do best-seller "Supergirl: Mulher do Amanhã" e da graphic novel "Helen de Wyndhorn", Bilquis Evely (SP) - também vencedora do prêmio Eisner; o quadrinista Vitor Cafaggi (BH/MG) - premiado duas vezes pelo Troféu HQ Mix -; e o autor e ilustrador espanhol Borja González (Instituto Cervantes) - conhecido por suas graphic novels e histórias de quadrinhos de estilo único que combina detalhes gráficos e personagens fantasmagóricos, sem rosto, com diálogos mordazes. Entre suas obras mais notáveis, "Grito Nocturno" (2022) é vencedora do Prêmio Nacional del Cómic.
Em "Direito da terra: HQs e as questões socioambientais" participam João Marcos Mendonça (MG) - autor de "Doce Amargo", publicação em quadrinhos sobre o rompimento da Barragem de Mariana (MG) -; a artista plástica Clara Chotil (França) - autora da história em quadrinhos "Tekoha", toda pintada em acrílico, que investiga a conexão entre povos indígenas e suas terras no Mato Grosso do Sul; e, por fim, Alves (MG) - geógrafo e ilustrador, autor de "Cerrado em quadrinhos". A partir de suas obras, os autores discutem a relação da sociedade com o meio ambiente, sob a mediação de Sâmela Hidalgo. A mesa está prevista para o dia 7, sábado.
"Desconstruir para reconstruir: novos caminhos para os heróis", também com mediação da produtora e curadora do segmento de quadrinhos Sâmela Hidalgo (AM). Para o debate foram convidados Lucas Werneck (SP), autor do quadrinho "Tempestade 01" (editora Panini); o arquiteto, ilustrador e quadrinista Hugo Canuto (BA), autor de "Conto dos Orixás (lançamento independente); e Lorenzo de Felici (Itália) - ilustrador e colorista, que assina "Oblivion Song" ao lado de Robert Kirkman (The Walking Dead). Eles discutem sobre a figura do herói, os valores que representam e como precisam se reinventar para acompanhar as mudanças do mundo. A mesa será no dia 7, sábado.
Talvez seja quase impossível fugir de retratos da realidade quando quadrinistas elaboram suas histórias. Mas quando a matéria-prima dessas narrativas são as vidas de outras pessoas, como realizar esses registros entre os limites do que conseguimos ver e o que as pessoas podem nos relatar? Essa é a questão levantada na mesa "Retratos da realidade: quadrinhos que narram vidas", que será realizada em 8/11, domingo, mediada por Line Lemos (BH/MG) - autora do quadrinho "A Hora da Estrela" (ed. Rocco/2025), inspirado em Clarice Lispector. Participam do debate Little Goat (SP), responsável por "Querido Gineco", que retrata, a partir de histórias reais, situações de negligência, abuso e preconceito na rede pública e privada; o ilustrador Klécio Santos (RS) - autor de "Terror nas Dunas"; e Férrez (SP), autor de literatura marginal, integrante do movimento hip-hop.
Em uma das mesas mais aguardadas, o quadrinista francês "Fabien Toulmé" propõe uma conversa sobre suas obras que carregam expressiva aproximação com o Brasil. Fabien divide também as estratégias de criação de seu trabalho, reconhecido pela força e pela identificação do público. A mediação é de Mariana Viana (MG) e Gabriel Nascimento (MG).
Dentro da parceria do festival com o Ministério da Educação - através da biblioteca digital Mec Livros -, destaque para a participação do professor Fábio Paiva, na mesa "Quem forma os leitores do futuro? O papel das gibitecas e bibliotecas para pensar os quadrinhos de amanhã", juntamente com Samuel Medina, da Gibiteca Gobbo da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte; representante da Gibiteca Henfil, de São Paulo; e Fulvio Pacheco, da Gibiteca de Curitiba. A mesa, marcada para 4/11, às 19h, propõe debate sobre a contribuição das bibliotecas e gibitecas para a formação de leitores e para a ampliação do acesso aos quadrinhos.
Mostra de cinema e exposições: um festival multilinguagem
A mostra de cinema traz obras focadas tanto na temática geral do evento quanto na interseção dos quadrinhos com o mundo da animação. As exibições são gratuitas no próprio Minascentro e as sessões são dedicadas a crianças, adultos e pessoas idosas. Entre os já confirmados está o título "Cosmo, o Cosmonauta" - produção baseada na HQ de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho conta a história de Cosmo, um jovem garoto que parte rumo ao espaço para explorar todos os planetas nos quais sua nave encontra sinais de vida.
As artes plásticas também estão representadas no festival com três exposições. Duas delas - seguindo a tradição do festival - são dedicadas aos artistas homenageados da 13ª edição. Com expografia e projeto executivo de Eduardo Damasceno e João Paulo Franco de Oliveira, a exposição sobre o ilustrador e quadrinista Lelis busca trazer o universo imagético do autor. As aquarelas e aguadas, que o tornaram um dos mais reconhecidos artistas de quadrinhos, são revisitadas em sua diversidade de temáticas. Séries ilustradas, desenhos inéditos e projetos consagrados de uma longa carreira dividem espaço com esboços e etapas que raramente estão acessíveis ao público.
A partir da pesquisa de Dani Marino, Eduardo Damasceno e João Paulo Franco de Oliveira propõem um espaço dedicado ao trabalho da pesquisadora Sonia Luyten. Com um conjunto de fotos, recortes de revista, reportagens e documentos diversos, a memória da atuação vasta da professora aparece como um elemento central para a história dos quadrinhos, apresentando ao público de HQs pessoas que não são artistas, mas foram fundamentais na consolidação da arte sequencial no Brasil, com atuações no campo da pesquisa, produção de conhecimento e ensino.
A terceira exposição "Anfang/Ausgang", elaborada em parceria com o Goethe Institut, parte da obra homônima do quadrinista Rapha Pinheiro, em que acompanha a viagem de um grupo de jovens brasileiros à Alemanha para iniciar uma nova vida como enfermeiros no país europeu.
Oficinas livres e mastersclasses
Outro viés sempre importante para o evento, as oficinas oferecem atividades voltadas tanto para a formação de público quanto para a prática dos quadrinhos. A 13ª edição do FIQ BH conta com 20 oficinas livres, gratuitas, para todas as idades, com o objetivo de despertar a curiosidade e o interesse artístico pelo mundo dos quadrinhos. Para participar, basta fazer o agendamento presencial duas horas antes da atividade, no local do evento.
Nesta edição, também são ofertadas doze masterclasses gratuitas, com inscrição prévia pelo site portalbelohorizonte.com.br/fiq. De caráter profissionalizante, essa atividade é destinada a artistas e profissionais da área, e ministrada por convidados do evento como Ana Luiza Koehler (RS) - arquiteta e ilustradora, vencedora do prêmio Troféu HQ Mix 2018 "melhor publicação independente de autor", por Beco do Rosário, e "melhor exposição" (sobre o livro), exibida na Galeria Hipotética (Porto Alegre); Rapha Pinheiro (RJ) - arquiteto e urbanista, editor e autor de quadrinhos premiados, atualmente dirige e leciona na Inko Escola de Mídias Criativas que prepara artistas para os mercados nacional e internacional; e Denis Mello (RJ) - especialista em narrativa visual (HQs e Storyboard) e professor na Inko Escola de Mídias Criativas, premiado por Beladona (HQ de terror vencedora do Troféu HQ Mix) e a série Teocrasília, quadrinho distópico nacional de maior destaque no país nos últimos anos.
Rodada de negócios - artistas mais próximos das editoras
A rodada de negócios é uma ação do FIQ BH que propõe aproximar artistas e editoras. Os encontros, que vão ocorrer em 5 e 6 de novembro, quinta e sexta-feira, são organizados com o objetivo de ampliar o contato e as relações profissionais, oferecendo aos quadrinistas a oportunidade de apresentarem seus projetos às editoras convidadas.
A iniciativa destina-se aos profissionais e projetos inscritos previamente e já selecionados pela organização do FIQ BH. Participam desta edição 13 editoras: Brasa, Comix Zone, Conrad, Devir, Hipotética, JBC, Miguilim, Poptopia, Tábula, Taverna do Rei, Trem Fantasma, Veneta e Via Lúdica.
Feira de quadrinhos
Ocupando um espaço crescente a cada edição, a feira de quadrinhos é formada por mesas de artistas e estandes de editoras, em que quadrinistas de todo o Brasil expõem seus trabalhos. É uma oportunidade para aproximá-los dos consumidores de suas obras e produtos. Para os frequentadores do evento, é a chance de conhecer pessoalmente artistas que já são reconhecidos, e, também, um ambiente propício para conhecer e se surpreender com novos quadrinistas.
FIQ em números
21 mesas de debates
8 convidados internacionais
75 convidados nacionais
25 estados brasileiros e Distrito Federal
277 mesas de artistas
400 artistas, aproximadamente, na feira
8 duelos HQ - disputas de ilustração, com quadrinistas presentes no evento, a partir de tema escolhido na hora.
3 exposições de artistas
13 editoras na rodada de negócios
20 oficinas livres (1 hora cada)
12 oficinas de formação/masterclasses (2 horas cada)
04 sessões de filmes
17 estandes
Sobre o FIQ BH
Em 1997, quando Belo Horizonte comemorou seu primeiro centenário, a capital foi sede de diversos eventos e homenagens. Um deles, em especial, chamou a atenção de todos, com convidados nacionais e internacionais de renome, transformando BH, pela primeira vez, no maior ponto de encontro latinoamericano de HQs. Era a 1ª Bienal de Quadrinhos, realizada nos espaços históricos da Serraria Souza Pinto.
A partir de 1999, rebatizado pela Prefeitura de Belo Horizonte como Festival Internacional de Quadrinhos - FIQ, o evento configurou-se como referência obrigatória para os quadrinistas e hoje é considerado o principal do gênero na América Latina.
A edição mais recente do FIQ BH, realizada em 2024 também em uma parceria entre Fundação Municipal de Cultura e Instituto Periférico, recebeu mais de 45 mil pessoas. O festival é um espaço de encontro entre profissionais e de troca de experiências artísticas e pedagógicas relacionadas à linguagem da arte sequencial. Além das diversas atividades oferecidas, artistas acadêmicos convidados estimulam a capacitação de profissionais e incentivam a formação de jovens quadrinistas.
FIQ BH NAS REDES
Instagram: instagram.com/fiqbh/
Facebook: facebook.com/FIQBH
SERVIÇO:
13ª edição do FIQ BH 2026 - Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte
Data: 4 a 8 de novembro
Local: Minascentro - Rua Guajajaras, 1022
Horário: Quarta-feira a sexta-feira, das 8h às 20h; sábado, de 9h às 21h, e domingo, de 9h às 19h.
Classificação: livre
Para mais informações e inscrições para oficinas, acesse: portalbelohorizonte.com.br/fiq