Toshiko Ishii influenciou uma geração de ceramistas a partir do Vale da Serra da Moeda. Sua neta, a designer Nao Yuasa, abre o instituto que leva seu nome nos dias 22 e 23 de agosto.
Toshiko Ishii veio do Japão para o Brasil em 1931 e se estabeleceu no Vale da Serra da Moeda, em Minas Gerais, em 1970. Foi ali, aos 70 anos, que encontrou cerâmicas antigas nas terras da fazenda e resolveu aprender o ofício. Sozinha, dominou o estilo japonês Bizen, uma cerâmica queimada a lenha e sem esmalte, em que a cor e as marcas vêm do próprio fogo. Sua obra influenciou uma geração de ceramistas brasileiras, que levaram a marca desse encontro para o próprio trabalho.
Agora esse nome batiza um instituto. Nos dias 22 e 23 de agosto, a neta Nao Yuasa abre o Instituto Toshiko Ishii, uma entidade sem fins lucrativos que mantém projetos de cerâmica, bordado e esporte para jovens na região. O lançamento é um evento gratuito no Moinho do Vale da Serra da Moeda, a cerca de uma hora de Belo Horizonte.
Nao é designer, trabalha na fronteira entre arquitetura e joalheria e cria objetos autorais para casa a partir de materiais nobres. Cresceu passando as férias com a avó no Vale da Serra da Moeda, e o que guarda dela é o dia a dia. “O que me marcou na convivência com a minha avó é que o dia a dia dela, de dona de casa, era muito prazeroso. Ela costurava bem, cozinhava bem, e tudo o que fazia, fazia do jeito dela. Não separava as coisas. Podia estar fazendo o almoço ou fazendo cerâmica, era tudo misturado, tudo divertido.” Foi aí, entre uma conserva de chuchu e uma tarde de conversa, que a avó lhe passou um jeito de olhar. “Nem sempre precisa acontecer algo especial. Basta prestar atenção no que você está fazendo naquele momento. É a preciosidade dos pequenos atos, do dia a dia.”
Esse aprendizado atravessou sua vida. Foi estudar agronomia para voltar à fazenda, acabou na arquitetura, no paisagismo e no design, sempre puxada para o trabalho manual. “Sempre gostei disso, assim como a minha avó.” A mesma linha a trouxe de volta para tocar o Instituto, e à casa da família, fechada por dez anos e agora restaurada para virar a sede. “Reabrir esta casa sempre foi um sonho da nossa família, e é o que estamos realizando agora.”
Os projetos que o Instituto abriga já existiam antes dele, e é isso que Nao quer preservar: um vínculo com a comunidade que começou com a avó e continua nela. “Estamos oficializando o Instituto, mas como atividade ele já existe há anos. A ideia é manter essa relação de troca com a comunidade, um crescimento dos dois lados, uma continuação do tempo em que a minha avó estava aqui.”
Serviço: Instituto Toshiko Ishii, 22 e 23 de agosto (sábado, 11h às 19h; domingo, 11h às 16h), no Moinho do Vale da Serra da Moeda (MG), a cerca de 1h de Belo Horizonte. Entrada gratuita.