
Durante muito tempo, falar em expansão empresarial no Brasil significava olhar primeiro para capitais e grandes centros urbanos. O mapa das franquias começa a contar uma história mais ampla. Uma cidade com menos de 10 mil habitantes já pode dividir espaço nos planos das redes com outra que supera meio milhão.
Nova Floresta, na Paraíba, tem população estimada em 9.840 habitantes. Londrina, no Paraná, chega a 581.382. A diferença entre as duas é de quase 60 vezes. Ainda assim, ambas receberam recentemente novas lojas físicas de uma mesma rede de franquias.
Os dois extremos fazem parte de um conjunto de cinco inaugurações recentes da Azul Empréstimo, que inclui ainda Cocos, na Bahia, com 19.865 habitantes, Surubim, em Pernambuco, com 67.821, e Manacapuru, no Amazonas, com 111.751. Os números são das estimativas populacionais de 2025 do IBGE.
Mais do que a distância entre Norte, Nordeste e Sul, é a diferença de escala que chama atenção. Quatro das cinco cidades estão fora das capitais. Duas sequer chegam a 20 mil moradores. Na outra ponta está Londrina, um dos maiores municípios paranaenses.
A fotografia ajuda a enxergar um movimento que aparece também nos números nacionais. O franchising brasileiro faturou R$ 76,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, crescimento nominal de 9,3% sobre o mesmo período do ano passado. No primeiro semestre, foram R$ 149 bilhões, alta de 9,7%. O país encerrou junho com mais de 207,2 mil operações franqueadas, 6.652 a mais em apenas um ano.
O CEP pesa menos
A chegada a municípios menores não significa que grandes cidades perderam importância. Londrina está na mesma lista de Nova Floresta justamente porque os dois mercados podem coexistir na expansão de uma rede. O que muda é a ideia de que determinado porte populacional, sozinho, define o destino das novas operações.
Isso fica particularmente evidente nos serviços financeiros. A atividade atravessou uma intensa migração para aplicativos e canais digitais, mas o ponto físico não desapareceu. Na Azul Empréstimo, por exemplo, lojas convivem com operações remotas.
Há também uma característica econômica do modelo que ajuda a dimensionar sua estrutura, embora não explique isoladamente a escolha das cidades. A rede não cobra royalties mensais, uma despesa recorrente presente em diferentes modelos de franquia, o que reduz o custo mensal da operação para o franqueado.
O dado ganha relevância quando colocado ao lado da geografia das novas lojas. Não se trata apenas de chegar a diferentes regiões, mas de estar presente em mercados com escalas muito distintas.
O interior entra na conta
A capilaridade é uma das forças apontadas pela própria Associação Brasileira de Franchising para explicar o avanço do setor. Ao divulgar os resultados do segundo trimestre, a entidade destacou que as franquias já levam produtos, serviços, tecnologias e sistemas a milhares de municípios brasileiros.
Essa expansão ocorre mesmo diante de juros elevados, restrição de crédito, endividamento das famílias e atividade econômica em ritmo menor, fatores apontados pela ABF como pressões sobre as redes em 2026. Ainda assim, o setor adicionou milhares de operações e aproximadamente 58,6 mil postos de trabalho em relação ao segundo trimestre do ano passado.
O avanço para cidades menores também muda a lógica da disputa por mercado. Se antes crescer significava principalmente conquistar espaço nos maiores centros consumidores, a chegada a novos territórios coloca municípios até então pouco associados às grandes redes no radar do franchising.
Nova Floresta talvez seja o exemplo mais claro desse fenômeno. Seus 9.840 habitantes correspondem a menos de 2% da população de Londrina. Cocos não chega a 20 mil. Manacapuru passa dos 100 mil. Nenhuma dessas diferenças impediu que as cinco cidades recebessem, praticamente ao mesmo tempo, uma nova operação do mesmo segmento.
Não significa que toda cidade pequena seja automaticamente um mercado viável, nem que população tenha deixado de importar. Renda, demanda, custos, concorrência e características locais continuam pesando em qualquer decisão de expansão. O que os novos endereços revelam é outra mudança: o tamanho da cidade deixou de ser uma fronteira tão rígida para o franchising.
Entre Nova Floresta e Londrina existem quase 572 mil habitantes de diferença. Hoje, existem também cinco novos pontos no mapa mostrando que a expansão das redes brasileiras pode passar por ambos os extremos.
Mín. 24° Máx. 26°