Economia SELIC
Selic começa a cair. É hora de comprar imóvel ou esperar?
Intenção de compra chega a 52% e crédito imobiliário avança mesmo com juros elevados
25/09/2026 12h22
Por: Karolina Christina Romagnoli dos Santos
Divulgação

A perspectiva de juros menores trouxe de volta uma pergunta para quem pretende comprar imóvel: vale fechar negócio agora ou esperar o financiamento ficar mais barato? A dúvida parece simples, mas os números mostram um mercado que não está esperando a Selic cair para se movimentar.

 

No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados em levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborado pela Brain Inteligência Estratégica, declararam intenção de comprar um imóvel nos 24 meses seguintes. Foi o maior percentual da série, três pontos percentuais acima do registrado no mesmo período de 2025. Sair do aluguel liderou as motivações, com 37% das respostas.

 

As vendas acompanham esse movimento. No primeiro semestre, foram comercializadas 226.536 unidades residenciais novas nas 221 cidades acompanhadas pela pesquisa da CBIC e da Brain, alta de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025. Uma parte importante desse mercado, porém, tem o apoio da política habitacional. No segundo trimestre, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 51% das unidades vendidas e por 58% dos lançamentos.

 

Para quem depende do financiamento bancário tradicional, a conta é diferente. Juros elevados pesam na prestação, aumentam a renda necessária para conseguir crédito e podem fazer um imóvel que parecia possível deixar de caber no orçamento.

 

Ainda assim, o financiamento está crescendo. Em julho, as operações com recursos da poupança somaram R$ 20,96 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Foi o maior volume já registrado para o mês, quase 77% acima de julho de 2025. De janeiro a julho, foram R$ 115,5 bilhões, avanço de 36,3%.

 

Com os juros começando a cair, esperar pode parecer a escolha mais óbvia. Afinal, por que financiar agora se o crédito pode ficar mais barato adiante? Para Paulo Motta, empresário multissetorial, investidor e cofundador IMVester, a redução da taxa básica é apenas uma parte dessa conta. “A Selic é uma referência importante, mas existe um caminho até que sua redução apareça efetivamente no crédito. Os bancos consideram custo de captação, risco, inadimplência e as próprias expectativas para a economia. No financiamento imobiliário, que envolve contratos de décadas, essa transmissão tende a ser ainda mais cuidadosa”, afirma.

 

Há também outro lado da espera. Se juros menores melhorarem as condições de financiamento, famílias que adiaram a compra podem voltar ao mercado. Mais gente procurando imóvel pode aumentar a disputa pelas unidades disponíveis e, dependendo da região e do tipo de propriedade, pressionar os preços. “Decisões de longo prazo raramente dependem de um único indicador. Para uma família, comprar um imóvel envolve renda, estabilidade profissional, capacidade de entrada, tamanho da parcela e perspectiva para os próximos anos. A Selic influencia essa conta, mas não substitui todas as outras”, diz Motta.

 

Não existe, portanto, uma resposta única para comprar agora ou esperar. A queda da Selic pode ajudar, mas não resolve sozinha o acesso à casa própria. Para quem pretende comprar, ainda será preciso colocar na ponta do lápis o preço do imóvel, o dinheiro disponível para a entrada e uma prestação que caiba no orçamento pelos próximos anos.