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Comércio mineiro perde ritmo em julho, mas mantém avanço acima da média nacional
O comércio de Minas Gerais entrou no segundo semestre em ritmo mais moderado. Em julho, o volume de vendas do varejo restrito caiu 1,2% na comparação com junho, resultado um pouco mais intenso que a retração de 0,8% observada no Brasil.
16/09/2026 15h50
Por: Redação

Comércio mineiro perde ritmo em julho, mas mantém avanço acima da média nacional

 

O comércio de Minas Gerais entrou no segundo semestre em ritmo mais moderado. Em julho, o volume de vendas do varejo restrito caiu 1,2% na comparação com junho, resultado um pouco mais intenso que a retração de 0,8% observada no Brasil. O movimento indica uma acomodação da atividade depois de meses de oscilação e revela que segmentos mais dependentes de renda, crédito e confiança do consumidor continuam encontrando um ambiente menos favorável.

A fotografia, porém, muda quando se amplia a lente para o varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado especializado de produtos alimentícios, bebidas e fumo. Nessa comparação, Minas Gerais recuou 1,3% em julho, enquanto o país avançou 0,4%. Apesar do resultado mensal negativo, o desempenho acumulado mostra uma trajetória mais favorável para o Estado: de janeiro a julho, o comércio ampliado mineiro cresceu 4,1%, mais que o dobro da alta de 1,9% registrada no Brasil.

Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, os números sugerem que o comércio mineiro atravessa um momento de desaceleração pontual, e não de perda generalizada de dinamismo. “O resultado de julho mostra uma acomodação do varejo, principalmente em segmentos mais sensíveis às condições de crédito e à renda disponível. Ao mesmo tempo, o acumulado do ano revela que o comércio ampliado mantém uma trajetória positiva em Minas Gerais, sustentada por atividades de peso importante para a economia estadual”, avalia.

No varejo restrito, o contraste entre os segmentos ajuda a explicar a perda de fôlego. Na comparação com julho de 2025, Minas Gerais registrou alta de 1,4%, ligeiramente acima do crescimento de 1,2% do país. O resultado mineiro contou com o avanço expressivo de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, de 138,4%, além de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com alta de 2,6%, e outros artigos de uso pessoal e doméstico, que cresceram 3,7%.

O salto da informática, entretanto, precisa ser interpretado com cautela. Embora impressionante, trata-se de uma atividade de baixo peso relativo no conjunto do varejo e marcada por elevada volatilidade, influência do câmbio e movimentos de reposição de estoques. “É um crescimento que chama atenção pelo tamanho, mas não deve ser lido isoladamente como sinal de uma aceleração estrutural do consumo. O comportamento desse segmento pode variar bastante de um período para outro”, explica Fernanda.

Em sentido contrário, algumas das categorias mais associadas a compras de maior valor e maior dependência de crédito permaneceram pressionadas. Na comparação anual, móveis e eletrodomésticos recuaram 9,2%, tecidos, vestuário e calçados caíram 8,7% e combustíveis tiveram queda de 3,1%. No comércio ampliado, material de construção também registrou retração de 8,5%.

“Esse comportamento mostra que o consumidor não está necessariamente deixando de consumir, mas pode estar sendo mais seletivo na composição das suas compras. Os segmentos essenciais apresentam maior estabilidade, enquanto bens duráveis e semiduráveis, que normalmente exigem maior comprometimento da renda ou acesso ao crédito, enfrentam mais resistência”, analisa a economista.

Os dados acumulados reforçam essa leitura. Entre janeiro e julho, o varejo restrito de Minas Gerais avançou apenas 0,3%, abaixo da expansão de 1,8% no Brasil. O resultado estadual foi limitado principalmente pelas quedas acumuladas de tecidos, vestuário e calçados (-6,3%), móveis e eletrodomésticos (-4,8%), livros, jornais, revistas e papelaria (-3,6%) e combustíveis (-2,6%). Na outra ponta, equipamentos de informática cresceram 53,2% e artigos farmacêuticos, 6,5%.

No varejo ampliado, contudo, Minas apresenta uma dinâmica mais consistente. O crescimento de 4,1% no acumulado do ano foi impulsionado pelo atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, que avançou 19,1%, e por veículos e motocicletas, com alta de 9,6%. Esses resultados compensaram a retração de 3% em material de construção.

O desempenho também se mantém positivo na janela de 12 meses. Até julho, o comércio ampliado mineiro acumulou crescimento de 3,2%, contra 1,2% no Brasil. O atacado especializado em alimentos e bebidas avançou 13,7% no período, enquanto veículos, motocicletas, partes e peças cresceram 5,4%.

Para Fernanda Gonçalves, esse recorte ajuda a qualificar a leitura sobre o momento do comércio mineiro. “Minas Gerais apresenta uma combinação de resultados que merece atenção: há uma acomodação no curto prazo, mas o desempenho acumulado do comércio ampliado permanece acima do observado no país. Isso indica que a atividade não perdeu sua capacidade de crescimento, embora alguns segmentos estejam enfrentando condições mais desafiadoras”, afirma.

O quadro setorial, portanto, é menos homogêneo do que o número geral pode sugerir. Enquanto produtos essenciais, medicamentos, veículos e o atacado de alimentos ajudam a sustentar o desempenho, categorias ligadas a bens duráveis, vestuário e construção permanecem sob pressão. Para os negócios, a diferença entre esses comportamentos reforça a importância de acompanhar não apenas o volume agregado de vendas, mas também o perfil da demanda e as condições que determinam a decisão de compra.


Sobre a Fecomércio MG

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.