
Dor e inchaço repentinos em apenas uma perna, principalmente na região da panturrilha, podem indicar uma trombose venosa. Se o quadro vier acompanhado de falta de ar ou dor no peito, é necessário procurar imediatamente um serviço de urgência, devido ao risco de embolia pulmonar.
O alerta marca o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, celebrado em 16 de setembro. Neste ano, a data ocorre após a sanção da Lei nº 15.448, de junho de 2026, que determina que hospitais públicos e privados com serviços de internação mantenham estruturas de prevenção ao tromboembolismo venoso. A norma entrará em vigor 180 dias após sua publicação.
Quando suspeitar de trombose
A trombose ocorre quando um coágulo se forma dentro de um vaso e dificulta ou interrompe a circulação do sangue. O quadro é mais comum nos membros inferiores e geralmente atinge apenas um lado. “A trombose costuma se apresentar como dor e inchaço em uma perna, principalmente na panturrilha, com início súbito ou evolução em poucas horas ou dias. Diferentemente de outros inchaços, ele não costuma regredir quando a pessoa deita e eleva a perna. A dor também não apresenta a contração muscular característica da cãibra, que tende a melhorar quando o músculo relaxa”, explica o angiologista e cirurgião vascular Kalley Santos Cavalcante, do Hospital Mater Dei Goiânia.
Embora seja menos comum, a trombose também pode atingir os braços. Segundo o especialista, o aparecimento repentino de dor e inchaço em apenas um braço ou uma perna deve ser investigado.
A maior preocupação está relacionada à trombose venosa profunda, que atinge veias localizadas dentro da musculatura. Parte do coágulo pode se desprender, seguir pela circulação e chegar aos pulmões, provocando uma embolia pulmonar. “Quando o coágulo chega ao pulmão, pode obstruir um vaso e comprometer a troca de gases.
O quadro pode variar de uma alteração pequena até uma embolia pulmonar grave, com dificuldade para respirar e risco de morte. Se uma pessoa com suspeita ou diagnóstico de trombose apresentar falta de ar ou dor no peito, deve procurar imediatamente um pronto-socorro”, alerta Cavalcante.
Maior risco
Cirurgias longas, internações, períodos prolongados de imobilidade e viagens demoradas aumentam o risco de trombose. Permanecer muitas horas em pé ou sentado também dificulta o retorno do sangue, que depende da contração dos músculos das pernas.
Obesidade, gestação, pós-parto, uso de anticoncepcionais e outros hormônios, câncer, histórico familiar e trombofilias, condições hereditárias ou adquiridas que favorecem a formação de coágulos, também estão entre os fatores de risco. “O risco aumenta em situações que dificultam a circulação, provocam lesões nos vasos ou favorecem a coagulação do sangue. Na gestação, por exemplo, o crescimento do útero pode comprimir vasos do abdômen e dificultar o retorno do sangue das pernas. No pós-parto, somam-se o repouso, as alterações hormonais e outros fatores”, explica o médico.
Prevenção, diagnóstico e atendimento
Movimentar o corpo é uma das principais formas de prevenção. Quem permanece muito tempo sentado ou em pé deve fazer pequenas pausas, caminhar e movimentar as pernas. A orientação também vale para viagens longas e para o período após cirurgias, quando a movimentação deve ocorrer assim que houver liberação da equipe de saúde.
As meias de compressão podem ajudar em situações específicas, mas o modelo, o tamanho e o grau de compressão precisam ser adequados a cada pessoa. Nos casos de insuficiência venosa, dúvidas ou necessidade de maior compressão, a orientação é procurar avaliação de um angiologista ou cirurgião vascular.
Medicamentos como anticoagulantes e ácido acetilsalicílico não devem ser utilizados por conta própria. “A necessidade de medicação depende de cada situação. O uso sem avaliação pode provocar efeitos adversos ou ser inadequado para aquele paciente. Quem passará por uma cirurgia, internação ou viagem prolongada, ou possui histórico familiar de trombose, deve conversar com o médico para definir a prevenção correta”, orienta Cavalcante.
Na suspeita de trombose, o diagnóstico é feito principalmente pelo ultrassom com Doppler venoso. O exame de dímero D pode ajudar a afastar a hipótese quando apresenta resultado normal em contextos clínicos apropriados, mas, isoladamente, não confirma a doença. Na suspeita de embolia pulmonar, pode ser necessária uma angiotomografia.
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