A FELIZS - Feira Literária da Zona Sul consolida-se como um dos principais eventos do calendário cultural paulistano ao chegar à sua 12ª edição. De 20 a 26 de setembro, a programação gratuita ocupará escolas, bibliotecas, centros culturais e outros espaços. Nascida do desejo de reunir e valorizar os artistas e escritores da periferia da Zona Sul de São Paulo, a feira tem a literatura como sua linguagem central, promovendo um intenso intercâmbio cultural. A programação, construída para valorizar todos os artistas, inclui saraus, encontros com autores, shows, performances, conversas literárias e oficinas. Entre os nomes confirmados estão Daniel Munduruku, Bárbara Carine, Marcelino Freire, Coral Guarani, Siba e o show de encerramento com a banda Veja Luz.
Com o tema "Tornar-se Selvagem - outras poéticas para confluir", a edição de 2026 presta uma mulheragem especial a Jerá Guarani, liderança da aldeia Kalipety, na Terra Indígena Tenondé Porã, localizada no extremo Sul de São Paulo, no distrito de Parelheiros. Formada em Pedagogia pela USP em 2008, Jerá atua como Agente Ambiental, promovendo a recuperação de sementes tradicionais, recuperação de áreas degradadas e realizando projetos de recuperação de florestas na Terra Indígena. Como escritora, fez parte da coletânea "Nós" organizada por Maurício Negro publicada pela Editora Companhia das Letrinhas e pela Editora FTD com o texto "Ju'i Poranduja".
Para a escolha do tema deste ano, a equipe se debruçou sobre os textos de Jerá, além dos escritos de Ailton Krenak e Nego Bispo para explorar os conceitos de resgate da relação com a natureza, do que é “ser civilizado” e de tecnologias ancestrais para sobrevivência em tempos de colapso climático. “'Tornar-se selvagem' é uma provocação à ideia de evolução, de avanço, onde a preservação de recursos naturais é desconsiderada frente ao consumo descontrolado crescente", frisa Diane Padial, produtora idealizadora da Felizs".
Silvia Tavares, educadora e produtora do evento, explica que, ao mulheragear Jerá Guarani, o evento abre passagem para outras poéticas que questionem o sentido da civilização e da cidade e nos recoloquem como parte da natureza, reconquistando nosso horizonte de bem-viver como um direito a ser retomado para nós e nossos mais novos: "Vivemos nos territórios que mais sofrem com o racismo ambiental, onde os rios retificados e córregos poluídos pela ocupação de suas margens transbordam e invadem casas; onde é mais fácil e barato adquirir ultraprocessados do que encontrar vegetais e frutas frescos para se alimentar; onde as águas, o solo, o ar reverberam os maus-tratos que o projeto de progresso capitalista da nossa sociedade a eles impôs e passam a constituir ameaça à saúde individual e coletiva, primeiramente de quem habita esse lugar".
Sobre a FELIZS
A FELIZS é uma das feiras literárias periféricas precursoras tendo inspirado a criação de eventos semelhantes e influenciado políticas públicas para o setor. O evento anual nasceu para reunir e valorizar os artistas e escritores da periferia sul de São Paulo, tendo a literatura como eixo central. Realizada desde 2015, a feira circula por espaços públicos da região com uma programação diversa e gratuita, promovendo a formação de público, incentivando o livro e a leitura e ampliando o acesso à cultura e faz parte do calendário oficial da cidade de São Paulo.
Uma das iniciativas de maior impacto da FELIZS é a Moeda Literária, criada em 2018. O projeto direciona recursos para que estudantes, professores de escolas públicas e mediadores de leitura possam adquirir livros diretamente dos expositores durante a feira. “Conseguir oferecer esse benefício fortalece a produção e difusão de obras literárias”, explica Suzi Soares, produtora curadora do evento. Em 2026 teremos r R$35 mil em Moedas Literária circulando pelo evento, fortalecendo a economia criativa local e garantindo vendas aos expositores.
O evento é realizado com o apoio do ProAc (Programa de Ação Cultural), Fundação Itaú, Sesc, PMLLLB (Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca) CPL (Camâra Periférica do Livro), Fábricas de Cultura, Fundação Tide Setúbal, Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, Secretaria Municipal de Cultura e Coordenação do Sistema Municipal de Biblioteca. A feira conta atrações ao longo da semana e reúne cerca de 60 expositores de livros, entre editoras e autores independentes, além de 26 expositores voltados para artesanato e gastronomia, em uma celebração que espera receber 10 mil pessoas.
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