Saúde Saúde Mental
Setembro Amarelo: por que olhar para a saúde emocional das crianças é essencial desde a primeira infância
Psicanalista Denise Fleury destaca o papel da escuta e da literatura infantil na elaboração de sentimentos e na prevenção em saúde mental
08/09/2026 13h19
Por: Marcela Güther

O Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre saúde mental, costuma concentrar o debate em adolescentes e adultos. Especialistas, no entanto, chamam atenção para a importância de olhar para esse tema desde a primeira infância, fase em que se estruturam os vínculos, as emoções e a forma como o sujeito se relaciona com o mundo.

Para a psicóloga, pedagoga e psicanalista Denise Fleury, o cuidado com a saúde emocional das crianças passa, antes de tudo, pela escuta e pelo reconhecimento de seus afetos. Experiências comuns dessa fase, como a ansiedade de separação, fazem parte do desenvolvimento, mas podem gerar sofrimento quando não são acolhidas. “A ansiedade de separação é o medo do abandono ou a sensação de perda causada pela separação entre a criança e o outro primordial”, define a profissional.

Esse tipo de experiência está presente em momentos cotidianos, como a entrada na escola, mudanças de rotina ou afastamentos temporários dos cuidadores. Mais do que evitar o desconforto, a especialista defende a importância de criar condições para que a criança possa expressar o que sente. “Quando a criança consegue nomear seus afetos, já conquista recursos simbólicos importantes para não ficar refém de seus próprios medos”, explica.

Nesse contexto, a literatura infantil surge como uma aliada importante. “A literatura infantil ajuda as crianças a nomear sentimentos, elaborar experiências e lidar com a separação, oferecendo caminhos simbólicos para o amadurecimento emocional”, frisa . Por meio de histórias, metáforas e do faz-de-conta, a criança pode acessar emoções complexas e construir sentidos sobre aquilo que ainda não consegue elaborar diretamente.

Essa abordagem está presente no livro Benjamin (SemiBreve), em que Denise Fleury transforma a experiência da separação em uma narrativa poética construída por sons, ritmo e imagens. A obra propõe que o vínculo afetivo não se rompe com a distância, mas se reorganiza, ideia central para o desenvolvimento da autonomia e da segurança emocional.

Ao ampliar o olhar do Setembro Amarelo para a infância, o debate se desloca da urgência para a prevenção. A escuta atenta, o acolhimento dos sentimentos e o acesso à linguagem simbólica são caminhos fundamentais para que crianças cresçam com mais recursos emocionais para lidar com desafios ao longo da vida.

Sobre o livro Benjamin

Ilustrado por Yasmin Hassegawa, Benjamin, de Denise Fleury, é um livro infantil que aborda a relação de afeto entre mãe e filho e a ansiedade da separação. Criado por uma pedagoga a partir de sua experiência clínica, a obra funciona como uma ferramenta lúdica para pais e educadores lidarem com essa fase do desenvolvimento. A história usa a metáfora de dois elefantes cujas trombas se entrelaçam, simbolizando o cordão umbilical e o afeto. A autora, mestra em educação, destaca a importância de tratar o tema pelo simbólico e pela brincadeira com sons e onomatopeias.

Sobre a autora

Denise Fleury é psicóloga, psicanalista, pedagoga e mestre em educação, natural de Goiânia (GO). Sua trajetória une a clínica psicológica à literatura, com foco na subjetividade humana e nas relações afetivas. É autora de Senhora M e outros contos (Editora Caravana, 2024), Quem conhece os gatos do vovô? (SemiBreve, 2022) e Benjamin (SemiBreve, 2025), com Giralda & Geraldo no prelo. Sua crônica “O cortejo” recebeu menção honrosa no Concurso Adélia Prado (2019), e, em 2025, foi reconhecida com o Prêmio Buritis na categoria Livro, Leitura e Literatura. Também realiza rodas de conversa em escolas e Centros de Atendimento Socioeducativo de Goiás.

O livro pode ser adquirido diretamente com a autora: https://linktr.ee/denise.fleury