O Palco Hip Hop, projeto que há 15 anos atua na valorização, difusão e fortalecimento da cultura Hip Hop, inicia sua programação comemorativa de 2026 com uma edição especial no Barreiro, região onde nasceu. Nos dias 5 e 6 de setembro, sábado e domingo, a programação reúne cinco workshops de danças urbanas, uma oficina voltada à formação de jurados, exibição de documentário, apresentações artísticas dos grupos de dança Wah Gwaan BH e Laia Cia. de Danças Urbanas, além de shows de dois importantes rappers da nova cena brasileira, a paulista e indígena Maria Preta MC, em seu primeiro show na capital mineira, e o rapper mineiro Drizzy que apresenta o show do seu recém-lançado disco Uma Conversa com o Diabo. A programação conta ainda com a tradicional batalha de danças urbanas em duplas 2x2, com a distribuição de R$3.500 em premiação. Toda a programação é gratuita e acontece no espaço Quinta Arte – Avenida Sinfrônio Brochado, 1053, Barreiro.
O idealizador do projeto, Victor Magalhães, celebra a longevidade do projeto. "O Palco Hip Hop nasceu para ocupar primeiramente o Barreiro, onde fui criado. O Barreiro é a potência do Hip Hop, aqui sempre foi, e ainda é gigante. Poder realizar uma etapa na região em toda edição é de extrema importância para a manutenção das nossas raízes, poder voltar e fazer uma edição de 15 anos, é de uma felicidade tremenda! Qualquer projeto cultural alcançar a idade de 15 anos é uma vitória muito relevante em um país onde temos a maior concentração de recursos incentivados no eixo Rio-São Paulo e ainda um percentual muito baixo de patrocínio cultural para projetos de pessoas negras e periféricas, dedicamos essa comemoração à cadeia produtiva do Hip Hop de Minas Gerais, por acreditarem e somarem conosco nesta caminhada resiliente. Agradecemos aos patrocinadores que acreditam na força do Hip Hop como uma cultura transformadora e essencial para a juventude negra e periférica do estado de Minas Gerais”, destaca o produtor cultural.
O Projeto Palco Hip Hop é realizado por Neon Cultura e Entretenimento e a correalização é do Instituto Aya de Arte e Cultura Negra com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Estado de Minas Gerais, através do patrocínio master da Cemig.
Formação em dança
As danças urbanas são um dos destaques do festival que trabalha a dimensão formativa a partir de cinco workshops gratuitos, contemplando diferentes estilos e possibilidades de criação corporal e com professores convidados que desenvolvem pesquisas e trabalhos relacionados a diferentes linguagens da cultura Hip Hop. Quem assina a curadoria são dois dois nomes de destaque em Minas, os artistas Wallison Culu e DJessy. As inscrições para os workshops e para a oficina acontecem por ordem de chegada, 30 minutos antes de cada atividade, e as vagas são limitadas.
No primeiro dia do festival, no sábado (5/9), o Palco Hip Hop promove uma programação que inicia às 9h, com Workshop de Dancehall, estilo de dança popular originado na Jamaica no final da década de 1970, lido como uma derivação do reggae que traz batidas eletrônicas mais aceleradas. Quem ministra a oficina é Jesca, dançarina, professora e jurada no cenário das danças urbanas que se dedica ao estudo do Dancehall e ao House Dance.
Em seguida, às 10h40, o Workshop Hip Hop Coreo com Léo Méx, artista, dançarino, coreógrafo, educador e produtor cultural do Barreiro, com atuação nas Danças Urbanas desde 2008, que pesquisa e desenvolve os estilos Hip Hop Dance, Popping e Improviso.
À tarde, a programação continua às 14h com Workshop de Vogue, dança que surgiu na década de 1960 nos bailes conhecidos como Ballrooms, criados por pessoas negras e latinas da comunidade LGBTQIAPN+ nos guetos de Nova Iorque. A oficina será ministrada pela Vitória Luz, dançarina, educadora, performer e coreógrafa de danças urbanas, com ênfase em Hip Hop e Vogue Femme.
Já às 15h40, os interessados em conhecer mais sobre o estilo de dança que integra os elementos básicos do Hip Hop podem se jogar no Workshop de Breaking com Bgirl Miwa, artista que possui 25 anos de trajetória profissional no Breaking, tendo participado de competições, festivais e júris no Brasil e em outros países.
Para finalizar a série formativa de sábado, o Workshop de Hip Hop com Capiva, às 17h20, será ministrado pelo artista que tem trajetória de duas décadas ligada ao Hip Hop Dance, além de atuar como DJ, produtor e comunicador.
Ainda no sábado, às 19h, o Palco Hip Hop realiza a exibição do documentário “Bounce”, seguida de bate-papo com a diretora Carla Garcez e integrantes do elenco. A atividade tem classificação livre e encerra o primeiro dia da programação. Ambientado na cena das batalhas de Hip Hop de Belo Horizonte, Bounce acompanha histórias de jovens que encontram na dança uma forma de expressão, conexão e transformação pessoal.
No domingo (6), das 9h às 12h, Bgirl Miwa retorna ao festival para ministrar a Oficina de Júri de Batalhas de Danças, voltada à preparação de pessoas interessadas em atuar na avaliação técnica de disputas. A atividade amplia a proposta de formação do festival ao abordar não apenas a prática da dança, mas também os processos que envolvem a organização e avaliação das batalhas.
Batalha de Danças Urbanas
Um dos momentos centrais da edição comemorativa será a Batalha Livre de Danças Urbanas para Duplas 2x2, que acontece no domingo. A disputa terá premiação total de R$ 3.500, sendo R$ 2.500 e brindes para a dupla campeã e R$ 1.000 e brindes para a vice-campeã. As inscrições são gratuitas e acontecem no próprio domingo, 6 de setembro, das 12h às 13h, na portaria do Quinta Arte, por ordem de chegada, para as 24 primeiras duplas aptas a participar. As pessoas integrantes das duplas devem ser maiores de 18 anos e apresentar documento oficial de identificação com foto. A partir deste ano, o evento explicita também que não serão admitidas nas competições de dança pessoas que possuam histórico de violências e agressões física, verbal e/ou psicológica contra companheires, ex-companheires, familiares, competidores, jurades, equipes de produção e público, dentro e fora do Hip Hop, ou em qualquer evento cultural e de entretenimento realizado em solo Brasileiro anterior a data de 06/09/2026.
As 24 duplas inscritas participam da seletiva, com uma entrada de 40 segundos para cada dupla. A partir dessa etapa, oito duplas serão selecionadas pelo júri técnico para seguir para as batalhas. A avaliação será realizada por Bgirl Miwa e André Calton, com o terceiro voto destinado ao público presente. A presença de Miwa também reforça o caráter formativo da competição. Com 25 anos de carreira no Breaking, a artista foi uma das primeiras mulheres brasileiras a competir internacionalmente, além de ter conquistado títulos e participado de júris em mais de 20 países. André Calton, por sua vez, é artista da dança, intérprete-criador, freestyler, educador e coreógrafo, com atuação há mais de uma década na cena de batalhas de Belo Horizonte e em eventos de diferentes regiões do país.
A disputa será integrada à dinâmica das cyphers, que ocupam diferentes momentos da programação dominical convidando o público a dançar livremente ao som dos DJs Tati Laser e Umiranda, responsáveis por conduzir a trilha sonora do dia mesclando afrobeats, hip hop, R&B e brasilidades. A Cypher abre as atividades artísticas às 13h, seguida pela seletiva da batalha; depois, novas cyphers acontecem entre apresentações e disputas, mantendo a pista como espaço de improvisação, encontro e expressão da cultura Hip Hop.
Apresentações artísticas
As apresentações artísticas de domingo trazem um panorama vibrante e representativo da diversidade do Hip Hop e das danças urbanas, conectando ancestralidade, pesquisa cênica e potência musical.
A programação começa às 14h45 com o coletivo Wah Gwaan BH (WGBH), grupo criado em 2025 que pesquisa e difunde a cultura Dancehall em Belo Horizonte através da dança, treino e expressão cênica.
Às 16h, a Laia Cia. de Danças Urbanas, fundada em 2013 por Vic Alves e reconhecida por obras marcantes como Sapiência e Nada mais é, leva ao palco sua pesquisa cênica consolidada que circula por festivais e espaços culturais do país.
Às 18h10, o evento recebe a estreia em Belo Horizonte de Maria Preta MC, artista independente, mulher indígena em contexto urbano de Poá, na Grande São Paulo. Ela é multiartista oriunda das batalhas de rima e slams, que traduz em sua obra narrativas sobre ancestralidade, território e representatividade, e chegou ao Netflix em 2024, quando foi uma das protagonistas do reality Nova Cena e ganhou projeção nacional, apresentado por Tasha e Tracie, Djonga e Filipe Ret.
Encerrando a edição comemorativa às 19h, o rapper mineiro Drizzy apresenta um show dinâmico que percorre desde arranjos intimistas influenciados por blues, jazz e soul até o boombap de alta energia, trazendo no repertório faixas do EP A História do Neguinho e de seu recém-lançado álbum conceitual Uma Conversa com o Diabo. Nele, Drizzy aprofunda temas como conflitos internos, espiritualidade, sobrevivência e autoconhecimento e traz participações de grandes nomes da cena nacional como L7NNON, MC Cebezinho, Spinardi, Pecaos, Raflow e Tchouzen.
Para toda família - O festival reserva um local para esticar as pernas e recarregar as baterias, incluindo carregadores de celulares, com lounge de E.V.A. para as crianças, espaço para colorir, além de fraldário para famílias com crianças na primeira infância.
Feirinha Palco Hip Hop - Com objetivo de fortalecer a economia criativa e sustentável, a Feirinha do Palco Hip Hop contará com empreendedores periféricos e vai funcionar durante o domingo, dia 06/09, de 13h as 20h. Entre os expositores, estão marcas que trazem produtos como roupas de street wear e bijuterias com tendências das culturas urbanas periféricas, do hip hop e do funk. Participam do espaço: Sem H Brincos, Por tuas mãos, A Coisa tá Preta, Tribo Primata, além da lojinha do Palco Hip Hop para quem quiser levar produtos do festival para casa, como bonés, copos, chaveiros e a ecobag feita de lonas das edições anteriores, confirmando mais uma ação do projeto de economia circular.
Palco Hip Hop: 15 anos de história
Criado em 2011, o Palco Hip Hop é uma plataforma multicultural que celebra e preserva a memória do Hip Hop. Ao longo de 13 edições e 25 etapas, o festival participou ativamente da geração de mais de 6 mil empregos, impulsionou 145 marcas locais em suas feirinhas e fortaleceu a diversidade, trazendo protagonismo a mulheres, pessoas negras, comunidade LGBTQIAPN+ e artistas com deficiência.
Ao longo de seus 15 anos, o festival Palco Hip Hop reafirma o compromisso com a transformação social, representatividade e equidade. Com um público estimado em cerca de 35 mil pessoas, o projeto já ocupou seis cidades, entre elas Belo Horizonte, Contagem, Ibirité, Vespasiano, Mariana e Rio de Janeiro, gerando mais de 360 empregos diretos e 6 mil indiretos, fortalecendo ativamente a economia criativa periférica.
Destaca-se também o investimento na formação técnica e empreendedora, como o Curso de Produção Cultural Online que destinou 70% de suas 220 vagas para mulheres negras e periféricas, além do apoio ao empreendedorismo local via Feirinha do Palco, impulsionando 145 marcas independentes. Pioneiro em acessibilidade e estrutura acolhedora para famílias e diversidade, o festival conta com expressiva participação de artistas mulheres (111), pessoas LGBTQIAPN+ (19) e artistas com deficiência (12).
No âmbito artístico, o Palco Hip Hop consolidou-se como uma das maiores plataformas de fomento e difusão das Danças Urbanas e do Hip Hop em Minas Gerais. Acumulando 13 edições e 25 etapas, o festival já apresentou 77 grupos e artistas de dança, 59 artistas de rap e movimentou intercâmbios internacionais com nomes da Alemanha, França e Senegal, além de grandes referências do rap nacional. O incentivo financeiro direto à cena também é uma marca registrada: o projeto distribuiu mais de R$ 63 mil em premiações nas batalhas de dança e de MCs, além de promover a capacitação contínua com 79 workshops de dança e dezenas de debates e palestras, garantindo paridade de cachês e projeção profissional para a cultura de rua.
Cemig
A Cemig segue ampliando o incentivo ao setor cultural de Minas Gerais, patrocinando diferentes expressões artísticas em todas as regiões do estado. Democratizar, descentralizar e ampliar o acesso às práticas culturais é um compromisso da companhia com a arte mineira. Ao incentivar a cultura, a Cemig fortalece a tradição, a memória e as raízes, sem deixar de ter a inovação e a tecnologia como aliadas. Estar ao lado da cultura de Minas Gerais é contribuir para a valorização da identidade, para o desenvolvimento do estado, para a movimentação da economia criativa e para a geração de emprego e renda.
SERVIÇO
Evento: Palco Hip Hop – 15 anos
Data: 5 e 6 de setembro de 2026
Local: Quinta Arte (Av. Sinfrônio Brochado, 1053 – Barreiro, Belo Horizonte)
Entrada Gratuita* - mediante lotação do espaço.
Programação — Sábado (05/09)
- 9h: Workshop Dancehall (com Jesca)
- 10h40: Workshop Hip Hop Coreo (com Léo Méx)
- 14h: Workshop de Vogue (com Vitória Luz)
- 15h40: Workshop de Breaking (com Bgirl Miwa)
- 17h20: Workshop de Hip Hop (com Capiva)
- 19h: Exibição do documentário Bounce + debate com diretora e elenco
Programação — Domingo (06/09)
- 9h às 12h: Oficina de Júri de Batalhas de Danças (com Bgirl Miwa)
- 12h às 13h: Inscrições para a Batalha de Duplas 2x2
- 13h: Cypher Inicial com DJ Umiranda
- 14h: Seletiva da Batalha de Duplas
- 14h45: Apresentação: Wgaan
- 15h: Cypher
- 16h: Apresentação: Cia Laia de Danças Urbanas
- 16h20: Fases Eliminatórias da Batalha
- 17h20: Cypher
- 18h10: Apresentação: Maria Preta
- 18h50: Finais da Batalha de Duplas
- 19h: Encerramento: Drizzy
Batalha de dança é um dos destaques da programação, abaixo Palco Hip Hop 2024 - Crédito Pablo Bernardo