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NOMEIODEPARACOM INVESTIGA O AMOR NO INÉDITO ESPETÁCULO “SOLOS DE AMOR”
Montagem compartilha diferentes experiências sobre afeto, sexualidade, cuidado, identidade e liberdade; temporada acontece de 10 a 12 de setembro, em BH
31/08/2026 16h52
Por: Felipe Souza Pedrosa
Bárbara Sayuri

O coletivo nomeiodeparacom apresenta o inédito espetáculo “Solos de Amor”, obra que transforma o espaço cênico em uma instalação imersiva para investigar o amor como sentimento, ação e movimento, entre os dias 10 e 12 de setembro, sempre com a entrada gratuita, em espaços culturais de Belo Horizonte. A temporada terá início na quinta-feira (10/09), às 19h30, no Espaço Comum Luiz Estrela (rua Manaus, 348, São Lucas). No sábado (12/09), ela passará pelo Centro Cultural Vila Marçola (rua Mangabeira da Serra, 320, Marçola), às 19h; e, no domingo (13/09), será encerrada, às 18h, no Centro Cultural Jardim Guanabara (rua João Álvares Cabral, 277, Jardim Guanabara). Mais detalhes no Instagram do coletivo: @nomeiodeparacom.

 

Dirigido por Violeta Penna, o trabalho reúne seis artistas — Carlos Linn, Joana Wanner, Johnny Cezar, Letícia Sigale, Pimenta Pimenta e a própria Violeta — em uma proposta que rompe com a organização tradicional de palco e plateia. Os seis solos acontecem simultaneamente, em diferentes ambientes, enquanto o público pode circular livremente ou permanecer em um único lugar, construindo uma trajetória própria diante das cenas.

 

A proposta nasceu de conversas do coletivo sobre as diferentes maneiras como o amor é vivido ao longo da vida e de acordo com os lugares sociais ocupados por cada pessoa. A pesquisa ainda foi atravessada pela leitura de “Tudo Sobre o Amor”, de Bell Hooks, e pela reflexão sobre o amor para além das relações românticas e afetivo-sexuais. Para a diretora Violeta, pensar o amor como uma ação significa também compreendê-lo como movimento e, portanto, como matéria possível para a dança.

 

“Falar de amor é falar de relações, de justiça social, de luta contra preconceitos, de utopia, empatia”, afirma Violeta. A diretora explica que a obra parte da percepção de que diferentes gerações e experiências sociais produzem formas distintas de viver o amor, mas também estabelecem pontos de encontro. “É impossível não pensar que também estamos falando de questões políticas e sociais. Cuidado de si, sexualidade, maternidade, gênero são dimensões políticas e sociais — vividas de forma individual, mas que acontecem no coletivo”, diz.

 

O próprio título “Solos de Amor” propõe uma contradição. Embora cada artista apresente uma criação autoral, a obra não é organizada como uma mostra de trabalhos independentes. Os solos se relacionam, se atravessam e são interpretados também por outros integrantes do elenco. Cada dançarino apresenta seu próprio trabalho e, ao mesmo tempo, dança criações dos colegas, fazendo com que diferentes corpos, idades, gêneros, histórias e experiências modifiquem a percepção de uma mesma cena. A estrutura foi concebida para que o público também participe dessa construção. É possível chegar, escolher um espaço, permanecer nele durante toda a apresentação ou circular entre os ambientes, acompanhando diferentes cenas e estabelecendo relações particulares com aquilo que acontece ao redor. Para Violeta, a liberdade de escolha é parte fundamental da experiência: “Fazemos escolhas, mas não sabemos de fato o que nos espera. É importante uma abertura para viver, para experimentar o amor, a dança de forma imersiva e sensorial”, explica.

 

SOLOS. No solo de Violeta Penna, a memória aparece como caminho para falar de liberdade e das relações entre mulheres. A artista parte de lembranças felizes e dolorosas, que se misturam e são ressignificadas no presente, para abordar também histórias coletivas de mulheres que foram reprimidas, aprisionadas e excluídas. A sororidade surge como possibilidade de criação de novos laços, enquanto elementos cômicos, delirantes e considerados “loucos” funcionam como formas de romper normas e padrões. “Sentimento de conquista da liberdade. Uma luta que passa por romper a norma”, define Violeta.

 

Carlos Linn constrói seu solo a partir da simplicidade e dos pequenos gestos como formas de expressão do afeto. A criação nasceu de dinâmicas realizadas nos primeiros ensaios, nas quais desejos e provocações dos integrantes foram transformados em movimentos. Para o artista, a experiência também está ligada ao próprio processo de criação dentro do coletivo e à descoberta de outras formas de se relacionar com a dança. “As coisas simples também podem ser lidas como gestos de amor, e esse amor, quando acolhido, pode se tornar um amor compartilhado de forma verdadeira e vivido de forma única”, afirma.

 

Joana Wanner apresenta uma criação que aborda o amor pela maternidade. A artista parte de uma experiência que ainda não havia levado para sua pesquisa em dança e investiga sentimentos que atravessam essa relação, como solidão, medo, culpa, estado de prontidão, abdicação e dedicação. Aos 49 anos, ela também relaciona a criação à sua trajetória como artista da dança e ao interesse por experiências ainda não exploradas.

 

Letícia Sigale volta o olhar para o amor próprio e para a dificuldade de reconhecer o próprio potencial. Seu solo nasce de uma sensação de querer ocupar o foco e mostrar aquilo que sabe fazer, mas ser impedida pela impressão de não ser suficientemente boa. A artista, que está em formação em dança pela UFMG, transforma essa insegurança em matéria para a cena e encontra no processo coletivo uma possibilidade de descobrir capacidades que antes não reconhecia em si mesma. “Ele vem de um lugar muito pessoal”, conta Letícia.

 

Pimenta Pimenta investiga formas de amar que escapam aos modelos tradicionalmente estabelecidos. Seu solo atravessa questões relacionadas à não monogamia, sensualidade, sexualidade e gênero, tendo a não binaridade como uma possibilidade que também tensiona ideias de certo e errado, monogamia e não monogamia. A criação parte de experiências pessoais e procura ampliar as referências sobre as maneiras de construir relações. “É uma possibilidade de criar, a partir dessas experiências, novas construções de realidade e novas referências sobre a não monogamia”, afirma.

 

Johnny Cezar utiliza memórias, questionamentos pessoais e objetos ligados à experiência cotidiana para refletir sobre identidade e amor próprio. As roupas ocupam lugar importante em sua criação, associadas às sensações, aos sentimentos e às memórias deixadas por quem as veste. O artista também investiga como elementos aparentemente simples podem carregar marcas de diferentes momentos da vida e contribuir para a construção de quem somos. “No meu solo trago reflexões e pensamentos sobre a construção da nossa identidade e do amor próprio”, explica.

 

Embora partam de experiências individuais, os seis trabalhos são construídos como uma única obra. O processo de criação durou nove meses e envolveu leituras, debates, trocas de experiências, oficinas de literatura e música e aulas de diferentes modalidades de dança. Parte dessas atividades foi realizada em centros culturais de Belo Horizonte, aproximando também o processo de criação de públicos jovens. A trilha sonora, assinada por Ricardo Ulpiano, funciona como uma das principais linhas de conexão entre os ambientes. Em vez de acompanhar cada solo de maneira isolada, a composição é pensada como uma paisagem sonora em que cada criação possui a própria identidade e, ao mesmo tempo, integra uma unidade maior. Cenário, figurino, iluminação e demais elementos cênicos seguem a mesma lógica de integração, contribuindo para a construção de uma experiência sensorial.

 

Para Violeta, essa relação entre individualidade e coletividade está no centro da própria concepção da obra. “Como uma exposição/instalação, composta por várias obras que juntas formam um todo”, explica. “Um solo se soma, se entrelaça ao outro na experiência do público”, completa. A dinâmica também provoca os próprios artistas, que precisam se colocar no lugar dos colegas e interpretar criações autorais e, em alguns casos, autobiográficas. O exercício é, segundo a diretora, uma forma concreta de empatia e de aproximação entre diferentes corporalidades. Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

 

“Solos de Amor”, do Coletivo nomeiodeparacom

Mais detalhes: Instagram @nomeiodeparacom

 

• 10 de setembro, às 19h30

Espaço Comum Luiz Estrela (rua Manaus, 348, São Lucas), Belo Horizonte

Entrada gratuita

https://www.sympla.com.br/evento/solos-de-amor/3541316

 

• 12 de setembro, às 19h

Centro Cultural Vila Marçola (rua Mangabeira da Serra, 320, Marçola), Belo Horizonte

Entrada gratuita

https://www.sympla.com.br/evento/solos-de-amor/3541303

 

• 13 de setembro, às 18h

Centro Cultural Jardim Guanabara (rua João Álvares Cabral, 277, Jardim Guanabara), Belo Horizonte

Entrada gratuita