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“Sexualidades Não Nascem Prontas: Do Nascimento ao Envelhecimento” livro reúne especialistas para discutir desejo, afetos e transformações ao longo da vida- coletânea organizada por Mônica Donetto e Renata Botelho
Publicado pela INM Editora, livro será lançado hoje, dia 20 de agosto, na Livraria Drummond, em São Paulo, reunindo especialistas em uma reflexão ampla sobre as diferentes dimensões da sexualidade, do nascimento ao envelhecimento.
20/08/2026 15h08
Por: Rozangela Silva
Credito Divulgação

Em uma sociedade que insiste em enquadrar a sexualidade em padrões rígidos de comportamento, desempenho e normalidade, a psicanálise propõe um caminho diferente: o da escuta, da singularidade e da construção permanente do sujeito. É justamente essa perspectiva que norteia "Sexualidades Não Nascem Prontas: do nascimento ao envelhecimento", coletânea organizada pelas psicanalistas Mônica Donetto Guedes e Renata Botelho, publicada pela INM Editora.

 

A obra será lançada hoje, dia 20 de agosto, a partir das 18h, na Livraria Drummond, na Avenida Paulista, 2073,  em São Paulo. O evento terá entrada gratuita e contará com uma sessão de autógrafos com as autoras participantes da coletânea.

 

O livro é um convite para que o leitor abandone a busca pela "sexualidade ideal" e passe a enxergá-la como um processo dinâmico, que se constrói, se desfaz e se reinventa em todas as etapas da vida. Com uma abordagem psicanalítica sensível e multidisciplinar, o livro reúne especialistas que analisam como o desejo é atravessado pela cultura, pela história pessoal e pelas transformações identitárias.

 

O livro não se propõe a dar respostas prontas, mas a criar um "campo pensável". Através de uma escrita que une rigor clínico e clareza, a obra explora os impasses das relações contemporâneas, o impacto das pressões sociais sobre o corpo e a importância de nomear as angústias que habitam a vida a dois. É uma leitura essencial para quem busca compreender que a sexualidade não é um destino, mas uma construção contínua, capaz de se adaptar, com coragem e criatividade, às mudanças que o tempo impõe.

 

Mais do que um compêndio de reflexões, esta obra assume o papel de um interlocutor atento aos dilemas da modernidade. Ao percorrer os capítulos, o leitor é confrontado com a necessidade de resgatar a singularidade de cada desejo em um tempo que insiste na padronização. O livro investiga como os laços afetivos são moldados pelas novas tecnologias, pelas exigências de produtividade e pelos silêncios que, muitas vezes, impedem o encontro real. Ao reconhecer que a sexualidade é um território em constante mutação, a coletânea oferece um alento: o de que, mesmo diante das falhas e dos desencontros inerentes à condição humana, é possível inventar formas mais éticas, vivíveis e autênticas de habitar o próprio corpo e a relação com o outro.

 

Capítulo Mônica Donetto:

 

“O Silêncio dos corpos no puerpério: Sexualidade, amor e cansaço nos primeiros meses do bebê” - Autora: Mônica Donetto Guedes

 

O desejo no puerpério — quando o cansaço silencia o sexo, mas fortalece o vínculo.

 

Neste capítulo, Mônica Donetto Guedes mergulha em um dos tabus mais persistentes da vida dos casais recém-pais: a aparente ausência de desejo sexual após a chegada de um filho. A autora desconstrói a ideia de que o declínio da libido no pós-parto seja um fracasso do casal ou falta de amor. Pelo contrário, Guedes apresenta esse período como uma reconfiguração natural das energias vitais, onde o desejo sexual é temporariamente transmutado em uma nova forma de intimidade: a do cuidado compartilhado e da sobrevivência mútua.

 

- Vivemos sob a pressão social que exige um retorno rápido à “normalidade” sexual após o parto. Essa demanda gera culpa e ansiedade desnecessárias. O artigo propõe um olhar mais compassivo sobre o corpo que pariu e sobre o casal que está em pleno processo de reajuste.

 

- A transição do papel de “amantes” para “co-pilotos” em uma missão de sobrevivência. A autora defende que a comunicação prática, a divisão de tarefas e o apoio nas madrugadas são, neste momento, expressões reais de amor e erotismo, ainda que não tenham a forma clássica de sexo.

 

- A importância do preparo emocional: O texto discute como preparar o terreno emocional ainda na gestação é fundamental para evitar que o casal seja refém de fantasias inconscientes e expectativas irreais sobre como será a vida após o nascimento.

 

- O capítulo convida o casal a descobrir novas linguagens de prazer, como o toque, a escuta, o apoio emocional e a cumplicidade no cansaço, que fortalecem o vínculo. É esse alicerce que permite que a sexualidade floresça novamente, de forma orgânica e saudável, no seu próprio tempo, sem a urgência da performance.

 

Serviço

Lançamento: Sexualidades Não Nascem Prontas: do nascimento ao envelhecimento

Autoras: Mônica Donetto Guedes e Renata Botelho

Editora: INM Editora

Data: 20 de agosto de 2026 (quinta-feira)

Horário: a partir das 18h

Local: Livraria Drummond

Endereço: Av. Paulista, 2073 – Conjunto Nacional – São Paulo/SP

Entrada Gratuita

Sessão de autógrafos: Após o lançamento

 

Ficha técnica

Lançamento: Sexualidades Não Nascem Prontas: do nascimento ao envelhecimento

Autoras: Mônica Donetto Guedes e Renata Botelho

Editora: INM Editora

Páginas: 360

Preço: R$ 80,00

Disponível na Amazon, nas principais livrarias e plataformas digitais do país.

 

Rede Social:

@monicadonetto

 

SOBRE MÔNICA DONETTO:

 

Mônica Donetto: a escuta que transforma histórias familiares em caminhos de cuidado

 

Psicanalista, psicopedagoga, educadora e escritora, Mônica Donetto construiu uma trajetória profissional marcada pela escuta sensível das crianças, adolescentes e suas famílias. O olhar atento para as relações humanas, que hoje orienta sua prática clínica e sua produção literária, nasceu muito antes da vida acadêmica: teve origem na convivência com uma família grande, diversa e repleta de histórias.

 

Carioca, Mônica cresceu cercada por pais, irmão, tios, primos e avós cujas trajetórias atravessavam diferentes culturas e origens. Entre narrativas familiares que transitavam entre Brasil e Itália, raízes portuguesas e a herança negra de parte de sua família, desenvolveu desde cedo uma profunda curiosidade pelas pessoas e pelos caminhos que moldam cada existência.

 

A infância, no entanto, também foi marcada por desafios. Inserida precocemente no processo de alfabetização, enfrentou dificuldades de aprendizagem decorrentes da falta de maturidade cognitiva para aquele momento. A experiência trouxe consequências importantes para sua vida escolar, incluindo a reprovação na adolescência e o sentimento constante de não corresponder às expectativas impostas pelo ambiente ao seu redor.

 

"Por muito tempo fui a filha que dava trabalho, aquela que não se encaixava nos padrões esperados. Hoje entendo que essa vivência foi fundamental para a profissional que me tornei", reflete.

 

As dúvidas sobre o próprio caminho também estiveram presentes na escolha da carreira. Influenciada por familiares, chegou a ingressar em um curso que não dialogava com sua essência. Mais tarde, encontrou seu lugar ao cursar Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), unindo duas paixões que carregaria por toda a vida: a escrita e o interesse genuíno pelas pessoas.

 

Foi justamente a partir da própria história que Mônica se aproximou da Pedagogia. Durante a formação, encontrou uma figura decisiva em sua trajetória: a educadora Márcia Parga, que reconheceu sua capacidade de escuta e a incentivou a seguir um caminho voltado para a compreensão dos processos de aprendizagem.

 

A partir daí, aprofundou-se na Psicopedagogia e descobriu que as dificuldades escolares raramente podem ser compreendidas apenas pela ótica cognitiva. Para ela, aprender envolve um delicado equilíbrio entre cognição, relações afetivas e aspectos emocionais. Essa compreensão a conduziu naturalmente à Psicanálise.

 

Ao longo de décadas de atuação clínica, Mônica desenvolveu um trabalho que integra criança, família e escola. Sua experiência inclui a gestão de uma instituição de educação infantil e ensino fundamental, além de especializações em orientação vocacional — uma área que escolheu justamente por compreender, em sua própria história, os impactos das expectativas familiares nas decisões profissionais.

 

Sua prática clínica é sustentada pela convicção de que a aprendizagem nasce dos vínculos. Para Mônica, a criança não pode ser compreendida isoladamente, mas como sujeito atravessado pelas histórias, desejos, conflitos e afetos de sua família. Por isso, seu trabalho busca incluir pais e cuidadores no processo terapêutico, promovendo reflexões que favoreçam relações mais saudáveis e conscientes.

Um marco importante em sua trajetória foi a leitura do livro Fomos Maus Alunos, de Rubem Alves e Gilberto Dimenstein. A obra a inspirou a ressignificar a própria experiência escolar e compreender que dificuldades na infância não determinam o futuro de ninguém. A partir desse encontro, sentiu-se autorizada a compartilhar sua história como parte da construção de sua identidade profissional.

 

Nos últimos anos, Mônica também observa transformações significativas nas dinâmicas familiares. Entre elas, destaca a participação cada vez mais presente dos pais nos processos clínicos e educativos. Embora ainda considere esse movimento minoritário, enxerga nele um importante sinal de mudança cultural e uma esperança para as novas gerações.

 

Foi da escuta cotidiana de crianças, adolescentes, famílias e educadores que nasceu seu livro Em Nome do Pai, da Mãe e do Filho, cuja segunda edição chega ao público pela INM Editora. A obra propõe uma reflexão profunda sobre as funções de cuidado dentro das famílias contemporâneas, ultrapassando modelos tradicionais e dialogando com diferentes configurações familiares.

 

Inspirada nos conceitos do pediatra e psicanalista Donald Winnicott, Mônica aborda a importância da construção de um ambiente de sustentação emocional — o chamado holding — capaz de oferecer acolhimento, segurança e limites para o desenvolvimento saudável das crianças.

 

A nova edição foi completamente revisada e ampliada, trazendo capítulos reescritos e textos inéditos inspirados nas demandas que chegam diariamente ao consultório. Ansiedade parental, inseguranças na educação dos filhos, dificuldades na imposição de limites e os impactos das transformações sociais contemporâneas são alguns dos temas abordados.

 

Questões como a construção de limites com afeto, a diferença entre autoridade e autoritarismo, os efeitos do uso excessivo da tecnologia na infância, além dos riscos da patologização e da medicalização precoce das crianças, estão entre os assuntos que Mônica considera mais urgentes na atualidade.

 

Mais do que oferecer respostas prontas, o livro propõe um espaço de reflexão e acolhimento. Uma escrita profundamente atravessada pela experiência clínica e pela escuta de centenas de famílias ao longo dos anos.

 

Fora da vida profissional, Mônica é casada com Fernando, mãe de Fernanda e Luiz Fernando e avó de Aurora e Bernardo. Apaixonada por viagens, estudos, encontros com amigos e boas conversas, mantém viva a curiosidade pelas pessoas e pelas histórias que elas carregam.

 

Ao olhar para sua trajetória, Mônica resume o legado que deseja construir: ser lembrada como alguém que, por meio da escuta, do acolhimento e da orientação, contribuiu para tornar a vida de muitas famílias mais criativa, consciente e expansiva.

 

Rede Social:

 

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